A Filosofia Patrística e Santo Agostinho

Inicialmente, o cristianismo se fundava em um conjunto de crenças e ritos que acompanhavam os ensinamentos de Cristo, conforme os escritos do evangelho. No entanto, a necessidade de defesa contra a perseguição do Império Romano e o desejo de expansão do cristianismo, alicerçado pela vontade de compreender mais profundamente os dogmas da religião e adequar o discurso à conversão dos pagãos, fez com que os primeiros padres da Igreja se dedicassem ao entendimento e articulação das práticas religiosas em sistemas filosóficos. A partir daí surgiu a Patrística, isto é, a corrente filosófica cristã da época medieval do século IV d.C. Ela recebe esse nome pois foi desenvolvida por diversos padres e teólogos da Igreja, os quais eram denominados “Pais da Igreja”.

O mais importante pensador da patrística foi Santo Agostinho (354-430 d.C.), considerado o criador da primeira teologia cristã. Ele viveu nos anos finais do Império Romano, período marcado por uma crise constante, incluindo o declínio econômico e a invasão dos povos bárbaros germânicos. Converteu-se ao cristianismo apenas na idade adulta, quando se envolveu com o clero cada vez mais organizado da Igreja e, assim, tornou-se bispo em sua cidade. Dentre suas principais obras, destacam-se Confissões (obra autobiográfica) e A Cidade de Deus. Santo Agostinho morreu em 430 d.C. em um contexto dramático do cerco de Hipona feito pelos bárbaros. Após sua morte ele foi canonizado.

Santo Agostinho, de Philippe de Champaigne, 1650

Fonte: https://razaocriativa.wordpress.com/2012/09/04/santo-agostinho-de-hipona/

Agostinho de Hipona, antes mesmo de sua conversão ao cristianismo, foi bastante influenciado pelo pensamento de Plotino (204-270 d.C.) e sua doutrina neoplatônica. Talvez por essa influência, alguns intérpretes de Santo Agostinho acreditam que sua obra seja uma síntese cristã do pensamento de Platão.

Segundo Santo Agostinho, há uma distinção entre Deus, perfeição absoluta, e o homem, uma cópia imperfeita de Deus e, por isso e por sua herança do pecado original de Adão e Eva, é capaz de pecar. Além disso, o filósofo distingue que Deus é o espírito e o homem é o corpo. É justamente esse caráter corpóreo e material do homem que é responsável pelos atos pecaminosos, pois, apesar de possuir a alma (capaz de comandar o corpo), o homem cede ao desejo e cai em tentação, isso faz com que a alma decaia e se torne impossibilitada de receber a salvação.

É importante salientar que o filósofo defendia que o homem possui o livre arbítrio, ou seja, poderia decidir de qual forma agir, no entanto, caso não agisse moralmente e com a ética da responsabilidade (pois foi para isso que Deus concedeu ao homem o livre arbítrio), isto é, caso ele usasse sua liberdade para pecar, ele receberia uma punição divina, o que comprovaria sua insuficiência.

Deus, porém, é bondoso e, entre seus infinitos atributos, é capaz do perdão. Ele concede a graça aos homens (ou pelo menos a alguns deles), isto é, um dom de salvação oferecido por Deus independente das atitudes individuais. É a graça que aproxima o homem a Deus e torna possível o conhecimento verdadeiro. Exposto isso, é evidente a semelhança com as ideias de Platão, visto que o Deus eterno e imutável seria equivalente à ideia platônica e, o mundo material, uma mera cópia imperfeita do mundo das ideias, onde está a fonte do pecado. Assim, a única forma de aproximar-se de Deus é por meio da experiência transcendente: a exaltação mística através da fé.

Por fim, há um princípio muito importante na filosofia desenvolvida por Santo Agostinho: “Crer para entender”. O termo “entender” é uma referência ao esforço racional necessário para compreender o mundo, enquanto a palavra “crer” refere-se à necessidade da fé, sem a qual a compreensão das coisas não possui importância. O conhecimento verdadeiro já existe no interior dos homens, mas Deus é o responsável por essa verdade. De modo geral, o princípio busca estabelecer um vínculo entre a fé e a razão, mas dentro de uma hierarquia, visto que a fé precede a razão, logo, ela é mais vital. Para ele, as leis de Deus são eternas na sua perfeição, enquanto as leis dos homens são imperfeitas e se alteram ao longo do tempo, esse é outro motivo que mostra o motivo da fé vir sempre primeiro.

Questão – Enem 2019

De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usa para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse sua vontade para o para o qual ela lhe foi dada?

AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a)

a) Desvio da postura celibatária.

b) Insuficiência da autonomia moral.

c) Afastamento das ações de desapego.

d) Distanciamento das práticas de sacrifício.

e) Violação dos preceitos do Velho Testamento.

A alternativa correta é a letra B.

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