As mulheres e a Revolução Constitucionalista

Recentemente, no dia 9 de julho, comemoramos em São Paulo a histórica Revolução Constitucionalista, ocorrida em 1932. O proposito do presente artigo é o de explorar esse evento histórico, bem como fazer um recorte para entendermos quem foram as mulheres que fizeram parte de tal movimentação, mesmo em uma época onde a população feminina não era, necessariamente, entendida como cidadã.

Antecedentes históricos

Getúlio Vargas chegou ao poder em 1930, por meio do Governo Provisório. Nesse meio tempo, suas ações se resumiram em anular a Constituição de 1891, bem como fechar o Congresso Nacional (atingindo assim todo o poder legislativo federal) e abolir os partidos políticos. Vargas começou a governar por meio de seus decretos, sem participação de instituições que existem justamente para garantir a democracia, como os partidos. Cada estado passou a ter uma liderança indicada por Vargas, pessoas de sua confiança, retirando assim o mandato dos antigos governadores.

Com um governo extremamente centralizado – visto que todos os poderes se concentravam nas mãos de apenas uma vertente tomadora de decisão, a do executivo, na figura do Presidente da República – mesmo os apoiadores da movimentação de Vargas em 1930 começaram a ficar insatisfeitos, visto que suas demandas e solicitações muitas vezes não eram atendidas pelo poder central – antes, demandas podiam ser direcionadas por meio do Congresso Nacional ou dos próprios partidos políticos. Além disso, a designação de interventores estatais para ocuparem os cargos dos governantes também fez com que partes da população ficasse insatisfeita. Um foco dessa insatisfação foi o estado de São Paulo – que viam a autonomia do estado e da sociedade em risco, visto que um poder centralizado tomava decisões; também é valido lembrar que grande parte dos interventores nos estados eram oriundos da ala militar.

Em maio de 1932 uma grande manifestação ocorreu, e nela agentes do governo mataram quatro estudantes – Mário Martins Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade -, a junção de suas iniciais, mais tarde, daria origem ao acrônimo que simbolizou as movimentações de 9 de julho, o MMDC. Uma intensa campanha publicitaria foi encabeçada pelos protestantes, convocando a população a se juntar na luta contra o governo de Getúlio Vargas (figuras geralmente usadas em guerras internacionais foram evocadas, bem como outras que reforçavam o caráter regional do conflito, onde ilustrações históricas do estado eram resgatadas, como a bandeira do estado e os Bandeirantes) – jovens eram convocados e industriais reverteram sua produção comum para materiais exclusivamente bélicos. Muitos desses jovens não tinham treinamento militar adequado e perdiam suas vidas em batalhas que aconteciam, principalmente na divisa do estado de São Paulo com o estado de Minas Gerais. Na capital, aviões do governo atacavam soldados. Quatro meses depois do começo do conflito, os paulistas renderam-se, em virtude da escassez de recursos financeiros e de soldados e combatentes. Mais de 900 vidas foram perdidas em combate, isso de acordo com números oficiais, sem considerar os registrados informalmente, e os líderes do combate foram deportados para Portugal. Apesar da derrota, os pedidos foram ouvidos e uma nova constituição foi criada, bem como o Congresso foi reaberto.

E as mulheres?

Como em grande parte das guerras, as mulheres atuavam em frentes de auxilio, como enfermeiras, produtoras de equipamentos bélicos e curativos, e afins. Na Revolução de 32, mais de 70 mil paulistas estiveram envolvidas com o conflito arrecadando roupas, preparando alimentação para os batalhões, confeccionando fardas e outros equipamentos. Mas haviam também as mulheres que pegavam em armas.

Maria Sguassabia era professora do primário no interior do estado, apelidada com um nome masculino (Mario) para poder lutar. Liderou tropas e, ao fim do confronto foi exonerada do cargo de professora – atuando até o final de sua vida com ocupações como a de costureira.

Maria José Bezerra era conhecida como “Maria Soldado”, e iniciou seus trabalhos como enfermeira, mas logo passou para a frente de combate. Há relatos de que Maria, mulher negra nascida em Limeira, teria se alistado como homem e logo foi descoberta, após ser ferida em combate (outras mulheres passaram pelo mesmo, leia esse artigo sobre Maria Quitéria aqui no Portal InfoEnem). Após o final do conflito, voltou a trabalhar como empregada doméstica e terminou a vida vendendo doces perto do Hospital das Clínicas.

Muitas outras mulheres atuaram na revolução, e você pode conhecer mais sobre elas nessa exposição virtual feita pelo MIS.

Questão do Enem

Cartaz da Revolução Constitucionalista. (Foto: Disponível em: http://veja.abril.com.br. Acesso em: 29 jun. 2012)

Elaborado pelos partidários da Revolução Constitucionalista de 1932, o cartaz apresentado pretendia mobilizar a população paulista contra o governo federal.

Essa mobilização utilizou-se de uma referência histórica, associando o processo revolucionário

a) à experiência francesa, expressa no chamado à luta contra a ditadura.

b) aos ideais republicanos, indicados no destaque à bandeira paulista.

c) ao protagonismo das Forças Armadas, representadas pelo militar que empunha a bandeira.

d) ao bandeirantismo, símbolo paulista apresentado em primeiro plano.

e) ao papel figurativo de Vargas na política, enfatizado pela pequenez de sua figura no cartaz.

ALTERNATIVA CORRETA – D

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Sobre o Autor

Raphaele Godinho
Raphaele Godinho

Raphaele Godinho: Estudante de Relações Internacionais, coordenação do movimento Resgatando e Valorizando a Mulher, Three Dot Dash Global Teen Leader 2020 by We Are a Family Foundation.