Cartão de Visita (Criolo) e o vestibular

Você provavelmente já ouviu alguma música de Kleber Cavalcante Gomes, mais conhecido como “Criolo”. O cantor, filho de imigrantes cearenses que cresceu no Grajaú, trabalhou por cerca de 12 anos como professor de artes antes de se tornar o fenômeno que é hoje – sendo até mesmo indicado ao Grammy Latino em 2019.

Em 2014 o cantor lançou seu terceiro álbum de estúdio, o “Convoque seu Buda”, disco com faixas majoritariamente do gênero rap, mas com nuances de música tradicional brasileira. Convoque Seu Buda foi eleito o segundo melhor disco brasileiro de 2014 pela Rolling Stone. A terceira faixa do álbum, Cartão de Visita, uma parceria com a cantora Tulipa Ruiz, será o tema da nossa análise de hoje!

A canção tem como objetivo criticar o consumismo, a ostentação e trazer uma mensagem sobre a desigualdade social no Brasil.

“Acende o incenso de mirra francesa

Algodão fio 600, toalha de mesa

Elegância no trato é o bolo da cereja

Guardanapos gold, agradável surpresa

Pra se sentir bem com seus convidados

Carros importados garantindo o translado

Blindados, seguranças fardados

De terno Armani, Louboutin os sapatos

Temos de galão Dom Pérignon

Veuve Clicquot pra lavar suas mãos

E pra seu cachorro de estimação

Garantimos um potinho com pouco de Chandon”

A primeira parte da música começa descrevendo um evento de classe alta, onde bens importados e de alto custo são mobilizados para garantir a “elegância no trato”. Todos esses bens (mirra, algodão, guardanapos, carros, seguranças, ternos, sapatos e afins) extremamente caros não estão na vivência das classes mais baixas, que direcionam suas energias para sobreviver, e não ter luxo e ostentação.

“MC Lon tá portando o VIP

Thássia tem um blog de fina estirpe

Pra dar um clima cult te ofereço de brinde

Imãs de geladeira com Sartre e Nietzsche

Glitter, glamour, La Maison Creole

O sistema exige perfil de TV

Desculpa se não me apresentei a você

Esse é meu cartão, trabalho no buffet”

Na segunda parte da música, Criolo faz uma crítica a figuras públicas conhecidas pela ostentação, como Mc Lon e Thassia Naves (que definitivamente iriam frequentar o evento descrito). Além disso ressalta que “o sistema exige perfil de TV” (por isso todos os itens de alto valor descritos anteriormente) nos eventos de classe alta. Finalmente na última parte, a letra apresenta um plot twist: a pessoa narrando todo o luxo e ostentação não é dona da festa, é subordinada – apesar disso, a imersão no ambiente de luxo fez com que o funcionário esquecesse de sua posição de “proletário” (leia esse artigo do InfoENEM sobre Karl Marx).

Acha que tá mamão, tá bom, tá uma festa

Menino no farol cê humilha e detesta

Acha que tá bom, né não, nem te afeta

Parcela no cartão essa gente indigesta

O refrão da música traz a crítica de forma mais clara: as classes brasileiras mais altas veem a pobreza (infantil ou não, como um menino pedindo esmola no farol) como algo pequeno, visto que não as afeta diretamente. Além disso, Criolo e Tulipa ressaltam que “parcela no cartão” (que faz com que as classes mais baixas consigam ter um poder aquisitivo, em partes, maior) causa indigestão nas classes altas.

Governo estimula e o consumo acontece

Mamãe de todo mal e a ignorância só cresce

FGV, me ajude nessa prece

O salário mínimo com base no DIEESE

Em frente a shoppin’ marcar rolêzins

Debater sobre cotas, copas e afins

O opressor é omisso e o sistema é cupim

E se eu não existo, por que cobras de mim?

Como uma boa crítica ao consumismo, a letra também ressalta a ideia de que o consumo é incentivado pelo governo, e nesse contexto há um crescimento de ignorância na sociedade. O autor traz ainda o fato de que pautas sociais (como cotas) viram um item quase divertido de debate entre pessoas de classes altas (que não necessitam das cotas sociais para se inserirem em espaços onde já têm presença histórica).

Com você, eu ali, nós dois, cê vê tê

A alma flutua, leite a criança quer beber

Lázaro, alguém nos ajude a entender

A entrevista do cantor com Lázaro Ramos em 2013 causou polêmica por conta da frase “confusa” de Criolo. Quando questionado sobre a ascensão da classe C, Criolo respondeu: “O que que é a ascensão da classe C? É tipo leite que a gente comprava, leite tipo C, aí tinha um tipo A, da fazenda […] A gente já ficou numa caixinha de novo, entendeu? (…) Tem que dar um ou dois passinhos atrás […]  A alma flutua. O corpo precisa de alimento. Se não tem leite, a criança chora.”

O viral é trazido na música por Criolo, que tentou, durante a entrevista, questionar se de fato há uma ascensão da Classe C no contexto da entrevista.

Em suma, Cartão de Visita apresenta diversas críticas que se aplicavam no contexto de lançamento (2014), mas perduram até hoje. Agora que já analisamos a letra, vamos ver como ela se aplica no contexto do vestibular!

FGV – 2016 – SME – SP –  A figura a seguir apresenta um fenômeno estudado pela Sociologia.

A imagem crítica:

(A) a sociedade do espetáculo.

(B) a geração de status e valor.

(C) a sociedade de consumo.

(D) a produção de cópias e simulacros.

(E) o processo de massificação.

ALTERNATIVA CORRETA: C

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Por quê, Porquê, Porque e Por que: aprenda a diferença entre cada um para não errar no Enem!

A língua portuguesa é de fato muito rica e por isso traz um grande número de possibilidades para algumas palavras e isso, às vezes, pode causar dúvidas aos falantes de seu idioma. Uma dessas dúvidas mais comuns está ligada ao uso dos “porquês”. Na fala não há motivo nenhum para preocupação, mas na hora da escrita em norma padrão quase sempre é feita uma consulta para saber a diferença entre um e outro e não fazer feio no texto.
https://infoenem.com.br/por-que-porque-porque-e-por-que-aprenda-a-diferenca-entre-cada-um-para-nao-errar-no-enem/

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https://infoenem.com.br/como-funciona-o-sisu/

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