Coesão textual para o ENEM

A coesão textual é uma competência que tem um grande peso para a prova do ENEM. Diferente do que se pensa, o tema não é cobrado apenas na redação do ENEM, ele pode aparecer também na prova de Linguagens, em algum texto ou no próprio enunciado da questão. Veja como o exame solicitou esse conhecimento em 2017:

Essas moças tinham o vezo de afirmar o contrário do que desejavam. Notei a singularidade quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco. Examinavam-no sérias, achavam o pano e os aviamentos de qualidade superior, o feito admirável. Envaideci-me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi afinal que elas zombavam e não me susceptibilizei. Longe disso: achei curiosa aquela maneira de falar pelo avesso, diferente das grosserias a que me habituara. Em geral me diziam com franqueza que a roupa não me assentava no corpo, sobrava nos sovacos

RAMOS, G. Infância. Rio de janeiro: Record, 1994.

Por meio de recursos linguísticos, os textos mobilizam estratégias para introduzir e retomar ideias, promovendo a progressão do tema. No fragmento transcrito, um novo aspecto do tema é introduzido pela expressão”

a) “a singularidade”.

b) “tais vantagens”.

c) “os gabos”.

d) “Longe disso”.

e) “Em geral”.

A alternativa correta é a D, com a expressão “Longe disso”, pois marca a continuidade do texto, acrescentando uma nova informação e conectando o assunto ao que já foi dito anteriormente. Ou seja, o narrador acrescenta que não se ofende pela ironia das moças ao elogiar o seu paletó, pelo contrário, acha até curioso.

Como é possível perceber, os elementos de coesão ajudam a formar o sentido geral do texto, interligando cada parte de modo que se estabelece o desenvolvimento do tema abordado, de acordo com o sentido que o autor deseja construir. Assim, há diversos tipos de elementos de coesão que influenciam e ajudam a compreender um texto ou a escrever a redação no ENEM.

A coesão é formada através de preposições, conjunções, advérbios e locuções adverbiais, que trabalham para estabelecer a harmonia e a conexão lógica entre as frases e os parágrafos do texto.

O uso dos recursos conectivos na redação do ENEM é avaliado na competência 4. De acordo com o MEC, para atingir a pontuação máxima nessa competência é preciso ter:

Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

São avaliados itens relacionados à estruturação lógica e formal entre as partes da redação. A organização textual exige que as frases e os parágrafos estabeleçam entre si uma relação que garanta uma sequência coerente do texto e a interdependência entre as ideias.

Preposições, conjunções, advérbios e locuções adverbiais são responsáveis pela coesão do texto porque estabelecem uma inter-relação entre orações, frases e parágrafos. Cada parágrafo será composto por um ou mais períodos também articulados. Cada ideia nova precisa estabelecer relação com as anteriores.

http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/418-enem-946573306/81381-conheca-as-cinco-competencias-cobradas-na-redacao-do-enem

Veja 11 exemplos para identificar e usar bem os recursos coesivos no ENEM:

1. Estabelecer prioridade: primeiramente, em primeiro lugar, a priori, a posteriori, principalmente, primordialmente, antes de tudo, etc.

2. Estabelecer ordem ou sucessão temporal: logo, por fim, finalmente, ao mesmo tempo, quando, antes, atualmente, anteriormente, frequentemente, então, depois que, enquanto, etc.

3. Estabelecer comparação, conformidade ou semelhança: da mesma forma, também, do mesmo modo, de conformidade, segundo, de acordo com, igualmente, etc.

4. Continuidade de ideias: Além disso, ademais, outrossim, como também, não apenas, etc.

5. Probabilidade ou dúvida: talvez, provavelmente, possivelmente, não certo, etc.

6. Afirmação enfática ou convicção: certamente, indubitavelmente, sem dúvida, inegavelmente, etc.

7. Esclarecimento ou explicação: ou seja, por exemplo, como, isto é, etc.

8. Finalidade: com o fim de, com intuito de, como propósito, para, a fim de que, etc.    

9. Concluir ou resumir ideias: em suma, portanto, em resumo, desse modo, pois, nesse sentido, assim sendo, etc.

10. Causa e consequência: como resultado, por conseguinte, em virtude de, já que, uma vez que, haja vista, de tal forma que, por consequência, com efeito, tanto que, tão, etc.

11. Oposição de ideias: pelo contrário, em contraste com, embora, apesar de, ainda que, mesmo que, ao passo que, exceto, salvo, em contrapartida, etc.

Esses elementos coesivos ajudam muito a formar um texto compreensível e harmônico, entretanto, é extremamente importante saber qual a relação precisa ser construída em um determinado trecho, para não correr o risco de usar o recurso de forma equivocada. Treinar a escrita de texto, aplicando alguns elementos coesivos que você não costuma usar é uma das melhores maneiras de garantir uma boa nota na redação.

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Por quê, Porquê, Porque e Por que: aprenda a diferença entre cada um para não errar no Enem!

A língua portuguesa é de fato muito rica e por isso traz um grande número de possibilidades para algumas palavras e isso, às vezes, pode causar dúvidas aos falantes de seu idioma. Uma dessas dúvidas mais comuns está ligada ao uso dos “porquês”. Na fala não há motivo nenhum para preocupação, mas na hora da escrita em norma padrão quase sempre é feita uma consulta para saber a diferença entre um e outro e não fazer feio no texto.
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Sobre o Autor

Adriana da Silva Moreira
Adriana da Silva Moreira

Adriana da Silva Moreira: Mestranda do programa de Letras Clássicas da Universidade São Paulo. Possui graduação em Letras, com habilitação em Português e Grego pela USP (2016). Concluiu duas Iniciações Científicas na área de Historiografia Grega (2013) e (2016) sob orientação do Prof. Dr. Breno Battistin Sebastiani. Tem interesse na área de Língua e Literatura Grega, com ênfase em Historiografia Grega.