Conhecendo um pouco a OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criada em 1949 por 12 países fundadores – dentre eles, os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França e outras nações europeias –, foi instituída através do Tratado de Washington, responsável por estabelecer sua forma de organização internacional e o caráter de sua aliança militar entre os países da América do Norte e da Europa durante o período da Guerra Fria. O documento consta com disposições acerca da paz entre os países membros e da criação de um conselho que permita a reunião das nações partícipes diante de qualquer possível ameaça.

Figura reproduzida do site: https://jornal.usp.br/atualidades/otan-e-poderosa-mas-tem-atuacao-comprometida-por-divergencias-internas/

Liderada pelos Estados Unidos, o objetivo primordial da aliança, no contexto em que foi cunhada, era proteger os países da Europa Ocidental da ameaça comunista pós Segunda Guerra Mundial e impedir a expansão da União Soviética. Desta forma, os EUA, além de firmar seu domínio sobre as nações europeias membras, contrapunha-se ao Pacto de Varsóvia – fundado em maio de 1955, em resposta à OTAN e ao ingresso da Alemanha Ocidental na organização –, no qual países membros, União Soviética, Bulgária, Checoslováquia, Polónia, República Democrática Alemã, Roménia, Hungria e Albânia, organizavam uma proteção militar mútua em nível internacional.

Figura reproduzida do site: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/pacto-de-varsovia.htm

Em 1991, com a dissolução do Pacto de Varsóvia, o fim da Guerra Fria e da União Soviética e, consequentemente, a formação de quinze Estados onde existia apenas um, criou-se na região europeia e centro-asiática uma situação política e geopolítica nova. Tal cenário anômico, juntamente com a crise política e econômica que atinge a Rússia, marcam o início do fortalecimento da hegemonia dos Estados Unidos, uma vez que a principal resistência ao domínio norte-americano era proveniente da URSS.

O desaparecimento de uma suposta ameaça de invasão militar soviética e de disseminação do comunismo, pressupostos que sustentavam e legitimavam a existência da OTAN, produzem questionamentos: será que a organização passaria a ser compreendida como obsoleta? Em tese, o objetivo central e basilar era a proteção contra essas ameaças, qual seria agora a motivação de sua existência?

Para sanar esta lacuna de legitimidade, a OTAN é reestruturada com o intuito de zelar pelos interesses econômicos e políticos de seus membros, realizando, assim, ataques preventivos e medidas de cooperação no âmbito militar e de segurança.

Se anteriormente as intervenções militares dos Estados Unidos no “terceiro mundo”, como na Coreia, Vietnam e a operação contra a Nicarágua, eram justificadas pela necessidade de conter o avanço do comunismo. Com a guerra no Afeganistão, a OTAN estabelece e concretiza seu novo objetivo: intervir militarmente em qualquer região que possa ameaçar a estabilidade e domínio dos EUA e outros países membros da organização. 

Suas ações, agora vestidas por imperativos de defesa da democracia e expansão da paz às mais “beligerantes” nações, na verdade, se pautam na possibilidade de controle de zonas estratégicas, seja em termos econômicos, como regiões com reservas petrolíferas; ou políticos, pensando na construção de bases militares e sua capacidade influência aos outros países a partir destas.

Atualmente a Otan conta com 30 países membros: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Montenegro, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Turquia. 

Embora não possua um exército único, sua força militar e política, resultante da soma das forças de seus países integrantes, apresenta-se como um forte instrumento de domínio imperialista e de manutenção da hegemonia dos Estados Unidos. Neste sentido, para se compreender os conflitos geopolíticos atuais, é necessário sempre levar em consideração o potencial de agência e interferência que a organização possui.

Exposto isso, deve-se ter em mente que o tabuleiro de xadrez das relações internacionais contemporâneas, muitas vezes, possui suas peças sob a égide da águia-de-cabeça-branca, ou seja, sob o domínio estadunidense.  

Questão 

(ENEM 2013) O papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alterou-se desde sua origem em 1949. A Otan é uma aliança militar que se funda sobre um tratado de segurança coletiva, o qual, por sua vez, indica a criação de uma organização internacional com o objetivo de manter a democracia, a paz e a segurança dos seus integrantes. 

No começo dos anos de 1990, em função dos conflitos nos Bálcãs, a Otan declarou que a instabilidade na Europa Central afetava diretamente a segurança dos seus membros. Foi então iniciada a primeira operação militar fora do território dos países-membros. Desde então ela expandiu sua área de interesse para África, Oriente Médio e Ásia. 

BERTAZZO, J. Atuação da Otan no Pós-Guerra Fria: implicações para a segurança nacional e para a ONU. Contexto Internacional, Rio de Janeiro, jan.-jun. 2010 (adaptado). 
 

Os objetivos dessa organização, nos diferentes períodos descritos, são, respectivamente: 

a) Financiar a indústria bélica – garantir atuação global. 

b) Conter a expansão socialista – realizar ataques preventivos. 

c) Combater a ameaça soviética – promover auxílio humanitário. 

d) Minimizar a influência estadunidense – apoiar organismos multilaterais. 

e) Reconstruir o continente devastado – assegurar estabilidade geopolítica. 

A alternativa correta é a letra B. 

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Sobre o Autor

Brenda Buzzo
Brenda Buzzo

Estudante de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Possui formação técnica na área de alimentos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus São Roque. Tem experiência em pesquisa na área de sociologia da alimentação e possui interesse nas áreas de pensamento social, estudos de gênero e sociologia política.