Dica de Filosofia – Problemas Sociais (apostila Enem)

Como sempre destacamos em nossos artigos, a prova do Enem traz características que não aparecem em nenhum vestibular tradicional, esteja ele extinto ou não.

Dentre essas peculiaridades, uma das mais marcantes é que, tanto na redação quanto nas questões, o exame exija dos candidatos conhecimentos (e posicionamentos) em diversos problemas sociais que atinjem o mundo e principalmente nosso país.

E quando pensamos nas questões relacionadas à esses problemas, boa parte são referentes a disciplina de filosofia. Veja, logo abaixo, um típico exemplo desse assunto que apareceu na última edição do Enem (2012).
 
 

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Nossa cultura lipofóbica muito contribui para a distorção da imagem corporal, gerando gordos que se veem magros e magros que se veem gordos, numa quase unanimidade de que todos se sentem ou se veem “distorcidos”. Engordamos quando somos gulosos. É pecado da gula que controla a relação do homem com a balança. Todo obeso declarou, um dia, guerra à balança. Para emagrecer é preciso fazer as pazes com a dita cuja, visando adequar-se às necessidades para as quais ela aponta.

FREIRE, D. S. Obesidade não pode ser pré-requisito. Disponível em: http//gnt.globo.com. Acesso em: 3 abr. 2012 (adaptado).

O texto apresenta um discurso de disciplinarização dos corpos, que tem como consequência

a) a ampliação dos tratamentos médicos alternativos, reduzindo os gastos com remédios.

b) a democratização do padrão de beleza, tornando-o acessível pelo esforço individual.

c) o controle do consumo, impulsionando uma crise econômica na indústria de alimentos.

d) a culpabilização individual, associando obesidade à fraqueza de caráter.

e) o aumento da longevidade, resultando no crescimento populacional.

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Antes de falarmos sobre as estratégias para se chegar na resposta correta neste tipo de questão, veja a resolução comentada feita pelo professor Valter Chanes.

A presente questão trata de um tema muito frequente nos dias atuais. Contudo é importante fazer uma análise mais ampla dessa problemática. O que se verifica não é o problema da obesidade e nem da excessiva magreza, e sim do obeso com a obesidade e do muito magro com sua magreza. Viver em uma sociedade (refiro-me à nossa, ocidental) onde o padrão de beleza e de bem estar vive em constante mutação, dada uma ordem de mercado de consumo que está presente e que dita regras do que é bom ou ruim, acaba tornando difícil a convivência daqueles que não estão adequados ao padrão do belo comparados aos “normais”. Michel Foucault (1926- 1984) em seu livro Vigiar e Punir (1977, Vozes) trata da questão da objetivação e subjetivação. Trata-se de um estudo das prisões, porém podemos utilizar esse mecanismo para verificar várias questões que transitam nas variadas micro esferas do tecido social. Em tese, o autor evidencia que o adestramento do corpo nas instituições de disciplinarização, tem por objetivo torná-lo dócil e útil. Nessa perspectiva, contribui para que o sujeito acabe por subjetivar a ideia ou situação. Ou seja, assimilar a ideia daquela proposta. Observe que na questão destacada por Freire, o problema do corpo na sociedade atual torna o indivíduo refém e com certa “culpa” de ser obeso ou muito magro. Um lugar onde ele se vê distorcido.

As normas e padrões sociais acerca da beleza trazem no seu bojo alguns transtornos e acaba marginalizando os “não adequados”.

É factível, contudo, verificar o ponto crucial da questão que é a culpabilização do indivíduo por estar fora de um padrão estético social.

Nesse sentido a alternativa D é a correta.

 
*Essa resolução comentada, realizada pelo professor Valter, foi retirada das apostilas preparatórias para o Enem 2013.

Clique aqui e veja outros exemplos de questões (de edições anteriores do Enem) resolvidas e comentadas.

Percebemos, claramente, que esse tipo de questão exige do estudante discernimento para entender a problemática e seu caráter social. Para tanto, duas dicas são muito importantes:

  1. Leitura atenta do texto contido no enunciado.
  2. Reflexão, tanto da forma que se apresenta o problema (no exemplo dado o preconceito frente a obesidade), quanto da maneira de solucioná-lo.

Em outras palavras, não basta conhecer e entender o problema abordado. Refletir sobre as consequências e as possíveis medidas factíveis para prevenir, atenuar ou solucionar a problemática também tornam-se primordiais para atingir a resposta esperada pela banca examinadora do exame.

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