Dominar norma culta da língua na redação do EnemOlá, pessoal! Primeiramente informo que, excepcionalmente esta semana, nossa coluna sobre redação foi publicada na sexta-feira, por conta da liberação do Edital do Enem 2013 ontem. Mas fiquem tranquilos que, a partir da semana que vem, meus artigos voltam a ser postados na quinta-feira, como de costume.

Cá estamos nós falando sobre a prova de redação do ENEM, a tão temida produção textual que não deve ser tão temida assim, já que todos são capazes de ser leitores e autores proficientes não só em um exame como na vida acadêmica, profissional e social. Abordamos bastante a questão da argumentação, já que o ENEM objetiva que o candidato escreva uma dissertação – argumentativa: demos dicas de técnicas para elaborar a tese e desenvolver argumentos, explanamos que outros textos, outros gêneros, podem e devem ser lidos e escritos para ajudar a refletir sobre a argumentação, explicamos o que são e como devem ser utilizadas as estratégias argumentativas etc, mas nada disso funciona adequadamente se a redação não estiver redigida de acordo com a norma culta da língua escrita, nosso tema de hoje.

A demonstração do domínio da norma culta da Língua Portuguesa escrita é a primeira competência avaliada pelo ENEM e talvez alguns devem pensar que é redundante a palavra “escrita” neste caso, mas não é, já que a língua e a linguagem se dão em duas modalidades: oral e escrita e como o tipo textual requerido no ENEM é a dissertação – argumentativa, o candidato deve demonstrar que domina a norma culta da língua escrita, já que gêneros da modalidade oral (assim como alguns da modalidade escrita como comentários, por exemplo) podem ser formais ou informais, dependendo da situação de produção na qual estão inseridos (para exemplificar, um discurso de apresentação é formal, já um podcast pode ser informal). A situação de produção que o ENEM estabelece é formal, pois é um exame oficial de seleção e como ele requer do candidato um texto formal escrito, este deve ser redigido segundo a norma culta da Língua Portuguesa.

Já que deve-se idealizar, imaginar um leitor universal, não deve-se, consequentemente, pressupor que este leitor conheça a proposta e o tema da redação (e isso vale para todos os vestibulares e para diversos gêneros), ou seja, como não se deve pensar no corretor no momento de escrever o texto, este deve ser construído com frases e orações que contenham informações completas, a fim de elaborar um texto autônomo, isto é, um texto que possa ser entendido por qualquer pessoa e fora da situação do vestibular ou do ENEM; por exemplo, um texto que um parente ou amigo do candidato que não conhece a proposta possa ler e compreender normalmente e adequadamente, no qual o autor se fez entender.

O candidato deve almejar escrever do modo mais claro e objetivo possível, mas tendo o cuidado de não ser simplista. Como diria Albert Einstein, “faça tudo da forma mais simples possível, mas não de forma simplista”, ou seja, não é preciso escrever um texto todo rebuscado, com palavras difíceis e pouco conhecidas (claro que um vocabulário variado é o ideal, mas é mais seguro usar palavras que você conheça bem do que palavras que você não domina o significado totalmente), mas é fundamental redigir um texto claro, objetivo e com progressão temática, isto é, que leve o leitor para algum lugar, o lugar que o autor escolheu e não ficar “enrolando”.

Além da escolha lexical, a pontuação também é importante, pois além de organizar as ideias, os argumentos, os exemplos, as estratégias argumentativas, a proposta de intervenção social (quinta competência do ENEM), ela dita o ritmo de leitura do leitor, a entoação desejada pelo autor. Um uso equivocado da vírgula, por exemplo, pode alterar completamente o sentido de uma oração, de uma frase, de toda uma construção. É como mostrou uma peça divulgada pela Associação Brasileira de Imprensa veiculada na mídia em comemoração aos seus 100 anos de existência:

Outros itens são fundamentais em um texto na modalidade escrita formal, como por exemplo, a ausência de elementos orais e informais (gírias; palavrões nunca, mesmo que o gênero requerido seja oral) e obediência às regras de concordância nominal e verbal, regência nominal e verbal, flexão de nomes e verbos, colocação de pronomes, ortografia (muita gente ainda confunde “mas” e “mais”), acentuação, emprego de letras maiúsculas e minúsculas e divisão silábica na mudança de linha (umas das primeiras coisas que aprendemos quando estamos sendo alfabetizados e que são importantes para toda a vida).

Segundo o Guia do Participante do ENEM 2012, os desvios mais graves que podem ser cometidos na redação são  a falta de concordância entre o sujeito e o verbo, períodos incompletos, descontínuos, que não são compreensíveis ao leitor, má pontuação, aquela que compromete o entendimento do texto e a presença de gírias. Já os desvios graves são a falta de concordância entre adjetivo e substantivo, regência nominal e verbal inadequada, ausência da crase ou seu uso equivocado, problemos sintáticos, desvios em palavras de grafia complexa e marcas de oralidade. Os desvios leves, finalmente, são ausência de concordância em passivas sintéticas e desvios de pontuação que não comprometem o sentido da redação.

O candidato que mostrar um domínio excelente da norma culta da língua escrita no ENEM, não apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios leves em algumas partes do texto recebe 200 pontos; o participante que demonstrar um bom domínio, com poucos desvios leves em partes da redação recebe 160 pontos; aquele que apresentar um domínio adequado, com desvios graves e/ou leves, mas que ainda não comprometem a leitura do leitor recebe 120 pontos; o candidato mediano nesta competência é aquele que já possui uma grande quantidade de desvios graves ou gravíssimos que comprometem a leitura recebe 80 pontos; o participante insuficiente é aquele que apresenta desvios gravíssimos e graves ao longo de todo o texto, os quais comprometem muito o sentido do mesmo, recebe 40 pontos e o candidato que demonstrar não conhecer a norma culta da língua escrita não recebe nenhum ponto, ou seja, fica com 0 nesta primeira competência do ENEM.

Ao ler e ao escrever, preste atenção, reflita sobre a modalidade utilizada e busque sempre redigir um texto coeso, coerente, objetivo e claro, no qual o domínio da norma culta da Língua Portuguesa seja demonstrado.

Até a próxima semana!

 

*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.

**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos leitores! Suas publicações serão sempre às quintas-feiras, não percam!

 

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