A prova de redação do ENEM possui uma característica relativamente permanente que é a de ter, como temas de suas propostas, assuntos com cunho social, ou seja, assuntos atuais, importantes e relevantes na sociedade brasileira. Desde o início do exame, quando ele servia, somente, para avaliar os alunos do Ensino Médio, tem sido assim. Vejamos:

1998: Viver e aprender
1999: Cidadania e participação social
2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio social
2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?
2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?
2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação
2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira
2006: O poder de transformação da leitura
2007: O desafio de se conviver com as diferenças
2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivos financeiros a proprietários que deixarem de desmatar ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar?
2009: O indivíduo frente à ética nacional
2010: O trabalho na construção da dignidade humana
2011: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado
2012: Movimento imigratório para o Brasil no século XXI

Podemos dizer que até 2003 os temas eram abordados de uma forma mais abrangente e generalizada e que a partir de 2004 essa abordagem passou a ser mais específica e detalhada, focando algum determinado aspecto. Porém, desde o início do ENEM, os temas têm enfoque social, abordando assuntos fundamentais como cidadania, direitos humanos, meio ambiente, educação, convívio social, ética, política, liberdade, comunicação etc. Por vezes, um mesmo tema abrange vários destes subtemas; por exemplo, o tema da prova de 2007 “O desafio de se conviver com as diferenças” engloba a questão da discriminação, dos inúmeros preconceitos (que, infelizmente, ainda estão enraizados na sociedade, não só brasileira) e, portanto, do convívio social e da liberdade de expressão, tanto corporal, sexual, religiosa, de informação, dentre outras.

Com esta postura, o ENEM nos mostra que objetiva que os candidatos, além de argumentarem fortemente a favor do seu ponto de vista, atue como um sujeito autônomo, protagonista do seu discurso e cidadão, não apenas um sujeito passivo que não tenha nada a dizer, nada a ajudar. A escola, como instituição, tem o dever de formar cidadãos conscientes, proativos e protagonistas de suas vidas e de seus dizeres, já que todos nós temos (e muito) o que falar. Por isso que o ENEM tem como sua quinta competência a elaboração de uma proposta de intervenção social para o tema abordado, respeitando os direitos humanos.

O MEC (Ministério da Educação e Cultura), afirma que esta proposta de intervenção social deve ser o mais elaborada, detalhada e inovadora possível, além de estar de acordo com toda a argumentação realizada anteriormente no restante do texto. O detalhamento é fundamental para que o leitor avalie a aplicabilidade desta proposta de solução, isto é, o quanto ela é praticável. Assim, propor soluções muito difícies, complicadas e inverossímeis não adianta, já que a solução deve ser palpável. Assim, a intervenção deve ser coerente com o restante do texto e com a realidade brasileira ou até regional se o candidato abordar um caso específico de seu estado, cidade ou comunidade (bairro, escola, grupos etc), além de respeitar integralmente os direitos humanos, ponto fundamental da competência. Propostas de solução preconceituosas, discriminatórias, homofóbicas, dentre outros, terão, aqui, nota 0, com toda a razão, pois devemos combater qualquer e todo tipo de violência discriminatória.

O ENEM avalia esta parte do texto com base nas seguintes comparações:
• presença da propostas x ausência da proposta;
• proposta explícita x proposta implícita
• proposta detalhada x proposta não detalhada

Então, primeiramente, a redação deve ter uma proposta de intervenção social como essência de um texto de um sujeito ativo, protagonista e cidadão, deve ser explícita e o mais detalhada possível. A maior pontuação irá para a proposta de solução mais inovadora, clara e detalhada no que concerne a sua realização e coerente com o restante do texto.
Por exemplo, no ENEM 2006 que teve como tema o poder de transformação da leitura, o candidato poderia ter sugerido um projeto municipal que aproximasse as pessoas dos livros, revistas e jornais através de bibliotecas intinerantes nos bairros, nas quais fosse possível o empréstimo de materiais por um determinado tempo e de graça ou a presença de mini bibliotecas em lugares de grande circulação como terminais rodoviários, centros urbanos, postos de saúde ou, ainda, que o governo subsidiasse mais a indústria editorial para que o preço os livros baixasse, para que eles se tornem mais acessíveis à população, além de projetos de incentivo à leitura nas escolas através do prazer e não da obrigação, nos quais os alunos escolham o que querem ler e a escola mude o modo de avaliação que, normalmente, são provas, fichas de leitura que desmotivam o gosto pela leitura etc e passem a avaliar de forma mais dinâmica, mais interativa.

Enfim, soluções para problemas não faltam! Basta estar bem informado e ter criatividade coerente com o seu texto e a realidade para pontuar, e bem, nesta competência, além de atuar como um verdadeiro cidadão protagonista, não apenas alguém que assiste tudo sem nada fazer, sem valer sua voz.

Até a próxima semana!

*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.

**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos leitores! Suas publicações serão sempre às quintas-feiras, não percam!

 

 

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