Com mais de 10 anos de existência esperava-se mais do ENEM. O início de qualquer projeto vem atrelado a desconfianças, expectativas e, muitas vezes, rejeições. O amadurecimento, avaliação e ajustes são essenciais para seu sucesso e continuidade.

Assim deveria ser o Exame Nacional do Ensino Médio. Ao ser criado na década de 1990 visava simplesmente avaliar o desempenho do sistema educacional ao final do Ensino Médio. As críticas constantes sobre capacitação docente, competência dos estudantes para enfrentar a Universidade ou o mercado de trabalho motivou a criação do Exame, para que mudanças ou discussões pudessem vir a baila e redimensionar a Educação Básica.

Para os de boa memória, a desconfiança tomou conta de alunos e professores. Estes por sentirem seu trabalho julgado de forma fria, com uma prova sem avaliar o trabalho completo do dia a dia. Aqueles por se sentirem ameaçados de não conseguirem a terminalidade estudantil e correr o risco de ter que repetir o processo. Houve recusas de participação e as primeiras provas contavam com inúmeras faltas e manifestações contrárias a realização do mesmo.

Pois bem. O objetivo inicial foi mudando e o resultado do exame sendo valorizado pelas Universidades ainda que de forma reticente. As questões forjadas pela excessiva contextualização de fatos buscando a relação do conhecimento escolar com o cotidiano levavam à confusões de enunciados, ambiguidades nas respostas e em alguns casos respostas e enunciados que nada tinham em comum. Houve envolvimento de escolas, professores e educadores na confecção das provas. O nível melhorou muito apesar do número elevado de questões e do esforço físico provocado por dois dias intensos de provas.

Enfim, no passar dos anos o exame foi se tornando popular e conseguiu espaço no processo seletivo e, de alguma forma, credibilidade no nível de questões, agora com uma banca composta de docentes de várias formações e regiões, mais preparados e comprometidos com a avaliação discente. Mas credibilidade requer transparência nos resultados. Hoje milhões de alunos apostam suas fichas em dois dias do exame, mas como saber se conseguiram êxito?

Chegamos ao impasse atual do ENEM: Como manter a credibilidade se não há responsabilidade nem transparência na divulgação dos resultados. As entidades que gerenciaram os vestibulares com milhares de alunos nas décadas de 1970 e 1980 sem os aparatos tecnológicos atuais, conseguiam através de processos numéricos, envolvendo desvio padrão, permitir que cálculos fossem feitos após a divulgação de gabaritos e relação candidato/vaga. Havia como os estudantes e as escolas acompanharem e planejarem estratégias de aulas para a busca de resultados. O que se vê hoje são alunos com números de acertos em mãos e nenhuma condição de avaliar qual sua nota e que peso ela terá em sua classificação.

A justificativa da Teoria de Resposta ao Item continua útil para o Exame que avalia desempenho para busca de políticas educacionais. Mas em nada se torna útil se pretende ser instrumento de acesso às Universidades. Corre-se o risco de volta à desconfiança primitiva e a retirada das principais Universidades no processo. Cabe lembrar que muitas de elevada importância nunca deram o crédito esperado e não participaram com suas vagas.

Resumindo essa reflexão, pedagogicamente após 10 anos o ENEM deve mostrar mais do que quando iniciou. Na avaliação de professores especializados em vestibulares por décadas, não há condições de alunos darem seu melhor com 90 questões, mais uma redação, em dois dias seguidos e pior, não terem o direito de saber como contabilizar sua nota.

Autores: Walter Tadeu Nogueira da Silveira, Mestre em Ensino de Matemática, é professor do Colégio Pedro II há 28 anos e moderador do site  professorwaltertadeu.mat.br,  com questões resolvidas de Ensino Médio e de vestibulares, com a colaboração de docentes com vasta experiência na área.

Marcos José Machado da Costa, Mestrando no ProfMat, é professor de Matemática do Colégio Pedro II, trabalhando com vestibulares em escolas e cursos há mais de 20 anos, tendo participado na elaboração do banco de questões do ENEM e ENCCEJA.

Ronaldo Quintanilha, Mestre em Ensino de Matemática, é professor de Matemática do Colégio Pedro II, Curso MV1 e Colégio Santa Mônica com experiência de mais de 30 anos em vestibulares.

Agradecemos aos professores, que atenderam prontamente ao pedido de nossa equipe e produziram valioso artigo.

Manual do SISU e PROUNI

Manual do SISU e PROUNI

Receba gratuitamente

Não enviamos spam. Seu e-mail está 100% seguro!

Sobre o Autor

InfoEnem
InfoEnem

Portal InfoEnem - O portal mais completo do Enem. 10 anos abordando os principais assuntos do maior vestibular do país. - Artigos; - Notícias; - Apostilas; - Cursos On-line.