Fonologia para o ENEM

A Fonologia é o estudo da constituição sonora das palavras, com ela é possível aprender os conceitos de fonemas, os sons de expressividade da língua portuguesa, os encontros fonéticos, o número de sílabas e a tonicidade (sílaba mais forte) de uma palavra.

Embora o assunto não seja cobrado com frequência nas questões do ENEM, ele serve de base para outras questões e conceitos na prova de Linguagens, como, por exemplo, a exploração de figuras de sons em poemas e músicas, gênero textual constante na prova. Em outras palavras, não estudar fonologia pode determinar que você apresente dificuldades em acentuação gráfica, por exemplo, e dessa maneira seja prejudicado tanto nas questões objetivas, quanto na escrita da redação, já que se trata de um estudo base para outros temas.

O primeiro tópico sobre Fonologia é a definição de um fonema. Fonema é a menor unidade sonora que constitui uma palavra. É importante que essa definição fique clara e que não seja confundida com letra. O número de fonemas de uma palavra pode ser igual ao número de letras dela, mas também pode não ser, pois os fonemas representam as unidades sonoras, enquanto as letras representam as unidades gráficas.

Exemplos: A-C-E-S-S-O = 6 letras

                /A/C/E/S/O/ = 5 fonemas

               V-A-C-A = 4 letras

              /H/O/M/E/M = 4 fonemas ( a letra H não emite som)

Obs: Os fonemas são sempre representados entre duas barras.

No geral, a exploração de fonemas em uma prova como o ENEM se dá pelo valor de contraste entre os fonemas, veja:

Lua/ Rua/ Tua

Torta/ Porta/ Morta

Bala/ Vala/ Fala

A troca de apenas um fonema da palavra, já altera completamente seu sentido, os poetas e músicos usam esse recurso com bastante frequência, além de ser também um recurso de humor, como a imagem a seguir:

A constituição sonora de uma palavra resulta da combinação entre três fonemas diferentes: vogal, semivogal e consoante.

Vogais: são sons que se formam nas cordas vocais e passam pela boca sem sofrer nenhuma interferência. EX: MARAVILHOSO – CADUCOETERNO.

Semivogais: são os fonemas /i/ e /u/ que aparecem acompanhados de vogais, porém apresentam som mais fraco. Ex: URUGUAI – AMEIXA – QUASE

Consoantes: fonemas produzidos a partir da corrente de ar, vinda dos pulmões e interrompida pela língua, dentes ou lábios. Ex: CABELO – MAMÃO – RATO.

A exploração desses aspectos sonoros da língua pode ser visto em três recursos de expressividade, chamados de figuras de som, que são a aliteração, a assonância e a onomatopeia.

Aliteração é a repetição de um som consonantal ou sons de consoantes semelhantes para criar um efeito acústico de um determinado som ou ruído, geralmente é encontrado em músicas, poemas e trava línguas. Exemplo

 “Chove chuva, chove sem parar
Chove chuva, chove sem parar
Chove, chove, chove-chove chuva, chove sem parar.”

No refrão da canção “Chove chuva” de Jorge Ben Jor, a repetição do “ch” lembra o barulho da chuva.

Assonância é a repetição de vogais abertas ou fechadas com a intenção de realçar a sonoridade de uma palavra, junto com a aliteração enfatizam a expressividade de um texto. Exemplo:

A onda

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Manuel Bandeira BANDEIRA, M. A Estrela da Tarde, 1960.

A repetição de vogais é um jogo do poeta que procura dar ritmo e movimento ao poema, semelhante ao movimento de uma onda do mar.

Onomatopeia: trata-se de um recurso sonoro que procura reproduzir, por meio de palavras, sons, ruídos, gritos, som da natureza, de animais, barulho de máquinas, etc. Exemplo

tic-tac / tum-tum / hahahahaha / biiiiiiiii / buáaaaaa.

Observe como a fonologia foi cobrada no ENEM, com uma questão da prova de 2009:

Para o Mano Caetano 

O que fazer do ouro de tolo 
Quando um doce bardo brada a toda brida, 
Em velas pandas, suas esquisitas rimas? 
Geografia de verdades, Guanabaras postiças 
Saudades banguelas, tropicais preguiças? 
 
A boca cheia de dentes 
De um implacável sorriso 
Morre a cada instante 
Que devora a voz do morto, e com isso, 
Ressuscita vampira, sem o menor aviso 
 
[…] 
E eu soy lobo-bolo? lobo-bolo 
Tipo pra rimar com ouro de tolo? 
Oh, Narciso Peixe Ornamental! 
Tease me, tease me outra vez 1 
Ou em banto baiano 
Ou em português de Portugal 
De Natal 
[…] 
 
1
 Tease me (caçoe de mim, importune-me).

LOBÃO. Disponível em: http://vagalume.uol.com.br. 
Acesso em: 14 ago. 2009 (adaptado). 

Na letra da canção apresentada, o compositor Lobão explora vários recursos da língua portuguesa, a fim de conseguir efeitos estéticos ou de sentido. Nessa letra, o autor explora o extrato sonoro do idioma e o uso de termos coloquiais na seguinte passagem:

A – “Quando um doce bardo brada a toda brida” (v. 2) 

B – “Em velas pandas, suas esquisitas rimas?” (v. 3)

C – “Que devora a voz do morto” (v. 9) 

D – “lobo-bolo//Tipo pra rimar com ouro de tolo? (v. 11-12) 

E – “Tease me, tease me outra vez” (v. 14)

RESPOSTA: D – O extrato sonoro é indicado na alternativa D (lobo-bolo).  

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Sobre o Autor

Adriana da Silva Moreira
Adriana da Silva Moreira

Adriana da Silva Moreira: Mestranda do programa de Letras Clássicas da Universidade São Paulo. Possui graduação em Letras, com habilitação em Português e Grego pela USP (2016). Concluiu duas Iniciações Científicas na área de Historiografia Grega (2013) e (2016) sob orientação do Prof. Dr. Breno Battistin Sebastiani. Tem interesse na área de Língua e Literatura Grega, com ênfase em Historiografia Grega.