Gramática – “Erros” comuns

As línguas seguem sempre alguma lógica em sua construção e uso, desde que surgiram. Não houve um simples aglomerado de palavras combinado, e sim um esquema complexo que se propagou e, inclusive, foi diferenciando-se ao longo do tempo, como no caso do latim transformando-se nas línguas românicas (português, espanhol, francês, italiano e romeno) por conta de vários fatores históricos, geográficos e sociais. Ao mesmo tempo em que as línguas desenvolvem-se com o tempo (o “vosmecê” no português transformou-se em “você”, por exemplo), elas possuem “variações” dentro do próprio idioma. Como afirma o professor e gramático Evanildo Bechara, é preciso “ser poliglota na própria língua”. Isso quer dizer que em cada situação, dependendo do nível de formalidade, relação com o interlocutor e uma variedade de outros fatores, será usada uma variação da língua. Sendo assim, não é porque a forma normativa (gramática que aprendemos na escola) não é usada a todo momento na fala e/ou na escrita que pode-se considerar um “erro” (daí as aspas aqui e no título). As abreviações nas conversas por WhatsApp e as gírias, por exemplo, não são nada mais do que variações da língua em contextos mais informais.

No entanto, os vestibulares, os concursos públicos e a maior parte das situações de escrita no meio profissional e no meio acadêmico não são contextos informais e, portanto, devem ser tratados como tal na linguagem também. Por isso, hoje vamos checar alguns dos erros (na escrita formal) mais comuns sendo cometidos atualmente (uma olhada nas redes sociais já pode comprovar a grande frequência deles), para que possamos corrigi-los e diminuir riscos nas situações formais de escrita.

Haver x a ver

O verbo “haver” pode ser usado como sinônimo de “existir” ou “acontecer” (Há muitas cadeiras excedentes naquela sala de aula./Não houve problemas na aplicação da prova.) e nesses casos é sempre usado no singular. Ele também é auxiliar na construção do pretérito mais-que-perfeito (Quando chegou em casa, seus pais já haviam ido dormir), frequentemente é substituído nesse caso pelo verbo “ter” em contextos informais e aqui sim pode concordar com o número (singular ou plural).

A expressão “ter a ver” é frequentemente usada para demonstrar se algo tem ou não certo grau de relação com o que estava sendo previamente tratado (Ele mencionou dados que não tinham nada a ver com a pesquisa sendo tratada.). Há ainda a possibilidade de ser a preposição “a” com o verbo “ver” (Eles me ajudaram a ver como poderia melhorar meu desempenho.).

O “haver” é bastante usado no lugar de “a ver”, por isso é importante entender o significado de cada um para evitar o erro.

A fim x afim

A fim” é uma expressão com sentido de finalidade, propósito (A fim de passar no vestibular, estudou com mais dedicação naquele ano.).

A palavra “afim” tem sentido de semelhança, proximidade ou pertencimento a uma categoria similar (É necessário comprar cadernos, lápis, borrachas e afins./Inglês e alemão são idiomas afins.).

Mas x mais

Esse talvez seja o equívoco mais comum na escrita. Na fala são pronunciados da mesma forma em muitos contextos informais, o que talvez colabore para a confusão. Vamos à diferenciação desses dois itens.

Mas” é um conectivo de oposição. Ou seja, quando usado, demonstra que a ideia seguinte se opõe à anterior (Ela gosta de comida japonesa, mas não gosta de peixe branco.).

Mais” é simplesmente indicação de um aumento, sendo o contrário de “menos”. Aliás, é um bom teste substituir “mais” por “menos” para checar se o uso está correto (Precisamos vacinar mais crianças contra sarampo no Brasil.).

O que acharam dos erros comuns tratados nessa semana? Costumam cometê-los com frequência ou já superaram esses itens? Tentem treiná-los em suas próximas produções escritas e na próxima coluna trataremos de mais alguns erros comuns, ok? Não se esqueçam de sugerir quais desses erros ou quais tópicos gramaticais gostariam de ver aqui também! Até a próxima!

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Por quê, Porquê, Porque e Por que: aprenda a diferença entre cada um para não errar no Enem!

A língua portuguesa é de fato muito rica e por isso traz um grande número de possibilidades para algumas palavras e isso, às vezes, pode causar dúvidas aos falantes de seu idioma. Uma dessas dúvidas mais comuns está ligada ao uso dos “porquês”. Na fala não há motivo nenhum para preocupação, mas na hora da escrita em norma padrão quase sempre é feita uma consulta para saber a diferença entre um e outro e não fazer feio no texto.
https://infoenem.com.br/por-que-porque-porque-e-por-que-aprenda-a-diferenca-entre-cada-um-para-nao-errar-no-enem/

O que é SiSU?

É o sistema informatizado do MEC por meio do qual instituições públicas de ensino superior (federais e estaduais) oferecem vagas a candidatos participantes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
https://infoenem.com.br/como-funciona-o-sisu/

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Sobre o Autor

Vanessa Christine Ramos Reck
Vanessa Christine Ramos Reck

Possui graduação em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de Campinas(2011). Tem experiência na área de Letras. http://lattes.cnpq.br/6444202678156917