Guia de Profissão 2013: Matemática

Matemática pode ser definida como a ciência que estuda as quantidades, o espaço, as relações abstratas e lógicas aplicadas aos símbolos. O bacharel em matemática utiliza a lógica na formulação de teorias e no teste de hipóteses. Esse profissional tem a capacidade de desenvolver aplicações dos cálculos na pesquisa pura e na ciência aplicada. Pode também trabalhar para criar fórmulas e bancos de dados, interpretando e solucionando problemas de desenvolvimento de produtos, de produção e de logística em indústrias e empresas.

Como a matemática está envolvida em todos os setores, esse profissional é bastante versátil e pode trabalhar nas áreas econômica, financeira, tecnológica, de física e pesquisa, entre outras.

Uma possibilidade bastante interessante é para aqueles que fazem licenciatura, pois está habilitado a lecionar nos ensinos fundamental e médio. Como todos sabem, existe uma falta enorme de profissionais da educação, principalmente nas exatas.

Caso prefira, outra alternativa para o matemático é a carreira acadêmica, desenvolvendo pesquisas e lecionando dentro da universidade.

Média Salarial inicial
De acordo com MEC, o salário médio inicial é de R$ 1.451,00 para professor da educação básica na rede pública por 40 horas semanais.

Onde estão os melhores cursos?
De acordo com o Guia dos Estudantes 2012, estes são os melhores cursos de matemática do Brasil.

* lista em ordem alfabética e organizada por estado

Entrevista
Para conhecer mais sobre as oportunidades de um matemático e sobre o respectivo curso, convidamos para uma entrevista Luis Gustavo Hauff Martins Grimm, matemático formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e que atualmente leciona Matemática na Educação Básica das Redes Pública e Particular. Luis também é responsável pelas resoluções de matemática das apostilas do infoEnem.

 

1 – Por que escolheu o curso de matemática?

Eu sempre fui mais ligado à área de ciências exatas e também sempre gostei de me envolver com tecnologia. Desde pequeno, em seu quartinho, meu avô me ensinou eletrônica, curso que eu vim a fazer como técnico no ensino médio, em São Paulo. Durante o curso eu sempre soubera que tinha feito a escolha certa. Quando me formei fui trabalhar em uma empresa de manutenção em equipamentos médicos onde fiquei por cerca de 5 anos e adorava o que eu fazia. Convicto de que faria Engenharia Elétrica, no cursinho um professor de Matemática sugeriu me para que eu tentasse cursar sua disciplina, já que me via ensiná–la a meus colegas com tanto gosto. Considerei sua sugestão e naquele ano ingressei em Licenciatura em Matemática. Passado um ano a ideia de ser engenheiro ainda me assombrava, tanto que no final dele passei novamente no vestibular para Engenharia Civil. No ano seguinte comecei a lecionar Matemática e o sonho de ser engenheiro começou a dar lugar a um docente convicto. Passado 3 anos do curso de Engenharia Civil larguei–o e retomei o curso de Licenciatura o qual me formei. Sem nenhum resquício de arrependimento após toda esta trajetória de fato escolhi a Matemática.
Entretanto, a pergunta foi por que eu escolhi a Matemática. Confesso que não sei responder, mas contada minha história sem dúvida eu digo que a vida me levou, de uma forma interessante, para o rumo certo.

2 – O que achou do curso? Cite as principais dificuldades encontradas ao longo do mesmo.

Na Unicamp o curso é bastante voltado à carreira acadêmica (pesquisa), o que o torna um pouco mais abstrato do que já é. O bacana é que você descobre o que de fato é Matemática e passa a enxergá–la com outros olhos. Evidente que houve algumas disciplinas que não gostei ao longo de todo o curso, mas de uma maneira geral eu gostei muito.
As dificuldades que eu encontrei basicamente são aquelas ligadas às próprias disciplinas. Tem algumas que são de fato mais difíceis, mas nada que muito estudo e dedicação não resolvam. No começo da graduação eu não trabalhava e isto ajudou bastante, mas logo que comecei a rotina de estudar e trabalhar ao mesmo tempo gerou certa dificuldade.

3 – Como é exercer a profissão de matemático? Conte-nos um pouco sobre sua rotina.

A carreira de professor de matemática é bastante distinta da de um matemático puro. A área da Educação no Brasil é algo muito desvalorizado pela sociedade. Todos dizem que a figura do professor é fundamental para o futuro do país, porém não valorizam o processo educacional. Isto faz com que o professor seja prejudicado. Falar do reconhecimento do governo é ainda pior e, portanto é melhor nem comentar. Contudo ser professor não pode ser encarado com uma opção tolerável de profissão. Eu costumo dizer que são três as carreiras que o maior pré–requisito deve ser o amor em exercê–las, as ligadas a área de: Educação, Saúde e Segurança.
Minha rotina é bastante conhecida por todos. Acordo cedo, vou de uma escola para outra, de noite preparo as aulas, provas, corrijo–as, etc. Basicamente é uma rotina em que você pensa em escola quase que 24 horas por dia. Mas com certeza eu digo que por ser apaixonado pelo que faço é uma rotina muito gratificante, ainda que com suas dificuldades.

4 – Neste momento econômico, qual a sua opinião em relação ao mercado de trabalho e as oportunidades para os profissionais da sua área?

Uma vez um professor do IMECC (instituto de matemática da UNICAMP) fez uma analogia da empregabilidade do professor a de uma torneira. Ele disse: “professor é uma torneira que pode até pingar pouco, mas nunca seca.” É possível dizer que desemprego e professor são palavras que não combinam muito. Na verdade a falta de professor no mercado atualmente é uma das grandes preocupações da área educacional.
Como já mencionei anteriormente professor não é uma profissão valorizada nem pelo governo nem pela sociedade e por isso o retorno financeiro acaba sendo bem abaixo do pretendido, embora não seja tão ruim como se pensa. É possível sim ser professor da Educação Básica e ter uma vida confortável financeiramente falando. É claro que é preciso correr atrás. Fazer mestrado e doutorado trazem muitos benefícios, como um aumento significativo no salário.

5 – Quais as principais características que você acredita serem necessárias para aqueles que cursam matemática e/ou exercem a profissão?

No meu entender existe uma característica que é fundamental para exercer qualquer profissão, gostar do que faz. Se a profissão não fizer sentido na sua vida, ela acaba se tornando extremamente estressante de se realizar. Acordar todo dia e ir para o trabalho não podem ser algo trabalhoso, custoso ou doloroso. Eu prefiro pensar que eu vou para a escola, me divirto e no final do mês ainda sou pago para fazer o que faço.
Sendo específico com a profissão de professor não basta apenas gostar ou conhecer o conteúdo que se vai ensinar. Não dá para falar que se um sujeito gosta e entende de matemática então ele tem tudo para se dar bem como professor. Lecionar é uma atividade muito complexa que exige um grande conhecimento humano. Lidar com a responsabilidade de transformar e dar autonomia para crianças, jovens e adultos é uma tarefa bem delicada. Sendo assim uma grande característica para ser professor é estar disposto a se doar em benefício do futuro do outro.

6 – Gostaríamos que desse dicas, conselhos ou qualquer outro tipo de informação que ajude nossos leitores a decidir seguir (ou não) a sua profissão. Fique a vontade!

Escolher a profissão de professor ou qualquer outra é uma questão de autoconhecimento. Eu acredito que o importante é você criar algumas opções para então escolher uma delas. O caminho dos estudos é um dos mais seguros, pois é através dele que se tem contanto com as diversas áreas do conhecimento. Ainda assim não é algo simples. Por exemplo, alguém que goste de biologia e de animais não quer necessariamente dizer que ela deva seguir a profissão de veterinária. O segredo está em ponderar o que se gosta de fazer com a rotina da profissão, ou seja, separar o que é hobby do que virá a ser seu trabalho.
Muitos escolhem a carreira levando em conta alguns critérios: tempo de formação, opções no mercado de trabalho, remuneração e até mesmo a fuga de conteúdos que na escola não se tinha familiaridade. A gente escuta muitos alunos dizendo que querem seguir uma determinada carreira por não envolver matemática. É evidente que todos estes fatores devem ser levados em consideração, porém a meu ver não são os prioritários. Quando se faz o que gosta a tarefa de superar os obstáculos fica mais fácil e as chances de sucesso são maiores.
No meu caso, conforme relatei, a escolha da carreira demorou mais do que eu gostaria. Ter cursado a Engenharia Civil foi o que eu diria “um mal necessário”. Caso não tivesse feito até hoje poderia estar me questionando: e se eu tivesse feito engenharia? Hoje tenho certeza, ao menos por enquanto, de que eu fiz a escolha certa.

 


*Nosso agradecimento especial ao matemático e professor Luis Gustavo Hauff Martins Grimm, que atendeu prontamente ao nosso pedido e concedeu esta fantástica entrevista.

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