Inquisição no Brasil

Como sabemos, o Brasil foi colonizado por Portugal e passou por um processo de fixação da religião católica, bem como lidou (e ainda lida) com as consequências desse estabelecimento. Apesar disso, em virtude da extensão do território e da variedade cultural, a religião católica não foi a única praticada no país; saberes oriundos dos nativos e vindos de África se difundiram também.

Com o objetivo de frear práticas não-católicas, consideradas “bruxaria”, instaurou-se no Brasil colônia a inquisição, que já vinha se difundindo pela Europa desde o século 12. As denúncias dos “hereges” podiam ser feitas de diversas maneiras, por civis, senhores de engenho, e outros, como maneira de ganhar até mesmo prestígio social, e mesmo com ausência de provas as pessoas eram presas e torturadas até confessarem seus “pecados” diante da autoridade colonial. Quando alguém não confessava, era levado até a fogueira. Cerca de 500 pessoas foram denunciadas na inquisição brasileira, com os maiores casos de denúncia sendo feitos contra judeus. 

Assim como em outros países, muitas mulheres foram alvo da inquisição do Brasil, afinal de contas, mulheres que tinham conhecimentos sobre fitoterápicos e equivalentes eram tidas como pecadoras, já que mulheres não deveriam, em tese, ter sabedoria. Esse ponto da nossa história deixou marcas profundas que guiam nossas relações sociais até a atualidade, onde práticas religiosas não cristãs são vistas como ruins, abrindo uma brecha para casos de intolerância religiosa, por exemplo.

Bruxas brasileiras

Um dos estados brasileiros que mais sofreu com a vistoria da igreja católica, na Justiça Eclesiástica, foi São Paulo; cidades como Itu e Ubatuba são exemplos. Uma história interessante foi a estudada por Narayan Porto para seu doutorado na FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

Narayan investigou as histórias de Thereza Leyte e Escholástica Pinta da Silva, mãe e filha, acusadas de praticarem bruxaria contra o marido de Escholástica; a acusação veio dos parentes do marido, provavelmente com foco em evitar que os bens do falecido ficassem sob posse de Thereza e Escholástica.

Mãe e filha foram julgadas e absolvidas. O que acreditava-se ser fruto de bruxaria era na verdade, de acordo com testemunhas, lepra; vale ressaltar que o marido de Escholástica havia acabado de chegar de uma viagem, sendo assim, a possibilidade de ter adquirido lepra era bastante plausível. Casos como esse foram muito frequentes durante o período da inquisição. 

Outro caso foi o de Mima Renard, franco-brasileira que foi morta na fogueira em São Paulo. Assim que chegou ao Brasil, Mima perdeu o marido, que foi assassinado. Viúva e imigrante, ela não dispunha de recursos para viver e em virtude disso começou a atuar como cortesã. Isso bastou para que ela fosse acusada de praticar bruxaria para “atrair os homens” – a gota d’água se deu quando dois de seus clientes, homens casados, brigaram entre si até a morte por conta de Mima, e ela acabou sendo queimada pela inquisição.

Agora que já sabemos mais sobre esse trágico período da nossa história, vamos resolver uma questão juntos?

Questão – Enem 2010

A Herança Cultural da Inquisição

A Inquisição gerou uma série de comportamentos humanos defensivos na população da época, especialmente por ter perdurado na Espanha e em Portugal durante quase 300 anos, ou no mínimo quinze gerações.

Embora a Inquisição tenha terminado há mais de um e psicólogos era se alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós.

Na maioria, as respostas foram negativas, ou seja, embora alterasse sem dúvida o comportamento da época, nenhum comportamento permanece tanto tempo depois, sem reforço ou estímulo continuado.

Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição.

[…] KANITZ, S. A Herança Cultural da Inquisição. In: Revista Veja. Ano 38, no 5, 2 fev. 2005 (fragmento).

Considerando-se o posicionamento do autor do fragmento a respeito de comportamentos humanos, o texto:

a) enfatiza a herança da Inquisição em comportamentos culturais observados em Portugal e na Espanha.

b) contesta sociólogos, psicólogos e historiadores sobre a manutenção de comportamentos gerados pela Inquisição.

c) contrapõe argumentos de historiadores e sociólogos a respeito de comportamentos culturais inquisidores.

d) relativiza comportamentos originados na Inquisição e observados na sociedade brasileira.

e) questiona a existência de comportamentos culturais brasileiros marcados pela herança da Inquisição

ALTERNATIVA CORRETA: B

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Sobre o Autor

Raphaele Godinho
Raphaele Godinho

Raphaele Godinho: Estudante de Relações Internacionais, coordenação do movimento Resgatando e Valorizando a Mulher, Three Dot Dash Global Teen Leader 2020 by We Are a Family Foundation.