Kant e o criticismo

O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) foi autor de obras marcantes para diversos campos do pensamento moderno e possui, em seu cerne, uma teoria inovadora que influenciou diversos outros teóricos. Suas principais obras foram: Crítica da razão pura (1781), Crítica da razão prática (1788) e Crítica do juízo (1790).

Primeiramente, para compreender o pensamento kantiano, é necessário considerar a forma como ele via as ciências e a Filosofia em sua época. Kant entendia a Matemática e a Física como ciências exemplares, pois possuíam bases rigorosas e resultados sólidos. Por outro lado, ele enxergava que a metafísica não seria capaz de atingir tal estágio cientifico, porque nela não haveriam conquistas duradouras e suas discussões apresentavam-se como lutas infinitas entre filósofos. Diante desses diagnósticos sobre a metafísica e a ciência, apreende-se o projeto kantiano de atribuir à Filosofia resultados tão sólidos quanto àqueles obtidos pelas vias científicas. Assim sendo, ele propõe uma Revolução copernicana para alterar a forma como os filósofos tratavam a questão do conhecimento. Utiliza-se Copérnico como referencial pois, para Kant, ele não conseguia explicar os movimentos celestes se partisse do pressuposto que as estrelas se moviam em torno do observador, logo, ele girou o espectador e deixou os astros imóveis, o que possibilitou melhores resultados. Igual processo deveria acontecer na Filosofia, a qual tentava explicar o conhecimento partindo do pressuposto de que os objetos regulam o conhecimento, o que, na verdade é o oposto para Kant, é o conhecimento que regula os objetos.

Fonte: http://editoraunesp.com.br/blog/homenagem-a-kant-e-suas-contribuicoes-para-a-filosofia

Fases da Filosofia para Kant

  • Fase dogmática: em que as teses apresentadas são vistas como indubitáveis e não se analisa como o conhecimento é possível.
  • Fase cética: na qual se destrói a possibilidade de emitir teses sobre o mundo.
  • Fase crítica: em que as questões metafísicas são consideradas, mas agora sob uma análise voltada à própria razão, como se estivesse em um julgamento. Deve-se salientar que, para Kant, o sentido de crítica não é sobre tratar negativamente um tema, mas de examinar os seus limites e as condições nas quais ele é possível.

A síntese entre racionalismo e empirismo

O debate entre os racionalistas e os empiristas se referia ao que é mais importante no processo de conhecimento humano, sendo para cada um deles, respectivamente, a razão ou a experiência. A teoria do conhecimento de Kant, de certa forma, faz uma síntese entre as duas posições, as quais estavam até determinado ponto corretas, mas não eram excludentes como eles imaginavam.

Para o filósofo alemão, os seres humanos possuem internamente as formas de tempo e espaço, portanto não são como folhas em branco – ponto de vista defendido pelos empiristas- no entanto, a intuição sensível, isto é, a experiência, é imprescindível, pois é ela que possibilita o contato com os conceitos e com o mundo exterior. Por exemplo, ao se observar um cachorro mover-se no espaço em determinado tempo, como saber se é um cachorro? Para isso precisa-se não apenas da sensibilidade, mas também do entendimento (faculdade racional). No entanto, o cachorro possui propriedades que se alteram, como a cor dos pelos, porém a denominação permanece a mesma. A isso que está a despeito das mudanças, Kant chama de substância, a qual não está nas sensações, mas sim no sujeito, pois ela é uma forma de entendimento.

Portanto, deve-se reconhecer a importância tanto da experiência quanto da razão, pois sem a experiência não há conhecimento, porém o entendimento dessa experiência depende de algo já existente no sujeito: a intuição pura, a forma como é percebido o tempo e espaço. A partir disso surge a noção de ciência como atividade que busca, essencialmente, estabelecer uma relação entre o entendimento (formas gerais da razão) e o mundo dos fenômenos

Questão – Enem 2013

Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.

KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Guibenkian, 1994 (adaptado).

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana da filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que 

a) Assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.

b) Defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo. 

c) Revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica. 

d) Apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos. 

e) Refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.

A alternativa correta é a letra A.

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