Mulan e a atual China

O novo filme lançado pela Disney, Mulan, está causando repercussões internacionais fortíssimas, mesmo em meio a pandemia da COVID-19.  Mas de que maneira um filme sobre uma princesa da China antiga está afetando as relações sociais entre chineses e estadunidenses no meio da Guerra Comercial entre China e EUA? Vamos entender isso!

O filme

Quase todo mundo já assistiu a animação Mulan, também da Disney lançada em 1998, que conta a história de uma jovem chinesa que se disfarça de soldado para lutar pela honra de seu país e de sua família. O filme mais recente, feito em live-action é uma produção mais independente da animação de 1998.

Na história, representantes do Imperador anunciam a convocação de um homem de cada família para compor o Exército Imperial numa batalha contra invasores. Mulan, disfarça-se de homem e perde o encontro com a casamenteira – um casamento era o único meio para fazer com que uma mulher tivesse honra – logo após fugir para infiltrar-se no exército e virar soldado.

A partir daqui a história segue caminhos distintos da animação, então vamos evitar spoilers! Mas fato é, que desde seu lançamento, o longa vem atraindo a atenção do mundo para algo ainda mais impactante que o cinema: o conflito entre China e EUA.

China x EUA

A Disney é uma das grandes marcas símbolo dos EUA, e ao produzir um filme sobre a China como uma nação histórica, imperial e gloriosa, o estúdio despertou os ânimos já acalorados entre chineses e estadunidenses. Vamos entender!

Desde o fim da Guerra Fria os Estados Unidos atingiram o patamar de poder hegemônico – aquele poder dentro do sistema internacional que é sinônimo de força econômica, militar e possui ampla influência mundial. Com o tempo, outros poder foram aparecendo, como a Alemanha e o próprio Japão, mas nenhum nunca havia chegado perto de competir com o poder dos EUA.

A Chinavem sendo uma gigante do comércio há muito tempo (procure em sua casa quantos produtos “made in China” você tem, só para ter uma noção), e começou a crescer mais e mais. Com eleição de Trump em 2016, medidas comerciais mais protecionistas começaram a vigorar nos EUA, um dos motivos era que Trump acreditava que o país mais importava do que exportava para a China.

Diversas tarifas foram aplicadas para mudar essa situação, tarifas direcionadas a China, União Europeia, México e Canadá. Em resposta os chineses também aumentaram suas tarifas para os EUA – esse tipo de retaliação começou a acontecer cotidianamente entre os dois países, em seguida.

Além disso, as discordâncias públicas, fatores militares e sociais e muitas outras coisas começaram a surgir. Os EUA começaram a tentar impedir a influência chinesa e vice-versa; mobilizando a força naval nos mares da Ásia, impedindo o funcionamento de poderes diplomáticos, e assim por diante. Mesmo a China tenta se manter ativa na América, como na crise da Venezuela. 

A China também se manter presente em outros lugares, como nos países africanos, com a realização de investimentos diretos que podem ter intenções intrínsecas de influência chinesa na região.

Hong Kong

Outra briga se dá por questões de regime e de território. Os EUA como “defensores da democracia” se opõem ao Regime Chinês de toda forma. O território de Hong Kong, por exemplo, é uma região que faz parte da China mas tem autonomia administrativa; recentemente, porém, Pequim começou a agir mais em Hong Kong – grupos de direitos humanos acusaram a China de interferir, citando exemplos como decisões legais que desqualificaram legisladores pró-democracia. Eles também se preocupam com desaparecimentos e com a reforma democrática. O líder de Hong Kong é atualmente eleito por um comitê eleitoral composto majoritariamente por pessoas pró-Pequim escolhido por só 6% dos eleitores. Outras intervenções nada democráticas também mobilizam críticas internacionais e mobilizam manifestações em Hong Kong.

Lembre-se: aqui estamos resumindo fatos controversos e históricos, se quiser saber mais sobre confira nossas dicas de podcasts informativos clicando neste link.

Polêmicas envolvendo Mulan

A atriz que dá vida para Mulan, Liu Yifei, que é chinesa, recentemente manifestou apoio a polícia de Hong Kong, que vem reprimindo manifestações contra a intervenção chinesa na região há meses. Os EUA apoiam os manifestantes, e o filmes é uma produção norte-americana, então a fala de Liu foi motivo de polêmica mesmo na política dos EUA, e também nas redes sociais com a hashtag #BoycottMulan (boicote Mulan).

Além disso, no final do filme, a Disney agradece ao governo da região de Xinjiang, noroeste da China, já que algumas cenas foram gravadas lá. O problema é que ali funciona um “campo de reeducação política” de pessoas da etnia uigure, que desrespeita diversos pontos dos direitos humanos internacionais. Até a Anistia Internacional questionou a Disney sobre o assunto.

Quem diria que podiamos estudar atualidades com um filme da Disney?

Questão – Enem 2011

Os chineses não atrelam nenhuma condição para efetuar investimentos nos países africanos. Outro ponto interessante é a venda e compra de grandes somas de áreas, posteriormente cercadas. Por se tratar de países instáveis e com governos ainda não consolidados, teme-se que algumas nações da África tornem-se literalmente protetorados.

BRANCOLI, F. China e os novos investimentos na África: neocolonialismo ou mudanças na arquitetura global Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br. Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado).

A presença econômica da China em vastas áreas do globo é uma realidade do século XXI. A partir do texto, como é possível caracterizar a relação econômica da China com o continente africano?

A – Pela presença de órgãos econômicos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que restringem os investimentos chineses, uma vez que estes não se preocupam com a preservação do meio ambiente.

B – Pela ação de ONGs (Organizações Não Governamentais) que limitam os investimentos estatais chineses, uma vez que estes se mostram desinteressados em relação aos problemas sociais africanos.

C – Pela aliança com os capitais e investimentos diretos realizados pelos países ocidentais, promovendo o crescimento econômico de algumas regiões desse continente.

D – Pela presença cada vez maior de investimentos diretos, o que pode representar uma ameaça à soberania dos países africanos ou manipulação das ações destes governos em favor dos grandes projetos

E – Pela presença de um número cada vez maior de diplomatas, o que pode levar à formação de um Mercado Comum Sino-Africano, ameaçando os interesses ocidentais.

ALTERNATIVA CORRETA – D

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Por quê, Porquê, Porque e Por que: aprenda a diferença entre cada um para não errar no Enem!

A língua portuguesa é de fato muito rica e por isso traz um grande número de possibilidades para algumas palavras e isso, às vezes, pode causar dúvidas aos falantes de seu idioma. Uma dessas dúvidas mais comuns está ligada ao uso dos “porquês”. Na fala não há motivo nenhum para preocupação, mas na hora da escrita em norma padrão quase sempre é feita uma consulta para saber a diferença entre um e outro e não fazer feio no texto.
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O que é SiSU?

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Sobre o Autor

Raphaele Godinho
Raphaele Godinho

Raphaele Godinho: Estudante de Relações Internacionais, coordenação do movimento Resgatando e Valorizando a Mulher, Three Dot Dash Global Teen Leader 2020 by We Are a Family Foundation.