Música e vestibular: uma análise de Amoras, do Emicida

O disco Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa é o segundo álbum de estúdio do rapper brasileiro Emicida, e foi lançado em 7 de agosto de 2015 pela gravadora Laboratório Fantasma (criada por Emicida e por outros amigos do meio musical). Com esse disco, o cantor foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Urbana no ano de 2016.

Uma das canções do álbum, Amoras, virou até livro infantil recentemente! Apesar de ser uma música pensada para crianças e durar poucos segundos, Amoras possui muitas mensagens impactantes. Por isso, vamos fazer uma análise da letra e entender como podemos usá-la para a resolução de questões de vestibulares. Bora lá? 

Vamos começar falando sobre o primeiro trecho da canção: “Veja só, veja só, veja só, veja só. Mas como o pensar infantil fascina. De dar inveja, ele é puro, que nem Obatalá”. Nesse primeiro trecho Emicida já mobiliza alguns pontos importantes. Em primeiro lugar ele traz a ideia defendida por Nelson Mandela (no livro Longo caminho para a liberdade: uma autobiografia) de que “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar […]”. Além disso, o cantor também apresenta ideias de valorização da cultura Iorubá ao trazer a imagem de Obatalá (criador dos seres humanos). 

Em um segundo momento da canção, Emicida salienta: “Entre amoras e a pequenina eu digo: As pretinhas são o melhor que há. Doces, as minhas favoritas brilham no pomar. E eu noto logo se alegrar os olhos da menina”. Nesse sentido o autor busca falar sobre a autoestima das crianças negras – em entrevistas sobre a obra, Emicida fala sobre a ausência de autoestima em sua infância e de outras crianças negras em sua família, e sobre como não gostaria que isso se repetisse com suas filhas e outras crianças; Amoras é pensada também para isso, para mostrar à essas crianças a importância delas “brilharem como amoras pretinhas no pomar”. O racismo espalhado pelo mundo, desde o período escravocrata no Brasil até o holocausto e a recente necessidade da criação do Movimento Black Lives Matter, acaba interferindo diretamente na autoestima das crianças e jovens negros. 

Na parte final da música, Emicida apresenta figuras importantes para a resistência negra em toda a América: “Luther King vendo cairia em pranto. Zumbi diria que nada foi em vão. E até Malcolm X contaria a alguém. Que a doçura das frutinhas sabor acalanto. Fez a criança sozinha alcançar a conclusão. Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. 

Com essa colocação Emicida ilustra como o empoderamento e a autoestima das crianças negras de hoje emocionariam os líderes do movimento negro no passado, como Luther King (que conseguiu fortalecer sua atuação após o caso de Rosa Parks, que causou boicotes aos Ônibus de Montgomery – já que naquela época a segregação era vista mesmo em espaços públicos como ônibus, banheiros, bebedouros e afins), Zumbi dos Palmares (líder do quilombo dos Palmares, espaço de resistência para escravos que lutavam por sua liberdade; até hoje quilombos existem e resistem, e a luta de Zumbi é lembrada no Dia da Consicência Negra, comemorado no dia de sua morte) e Malcolm X (diferentemente de King, X defendia a resistência armada para lutar pelo empoderamento negro nos EUA; ideias como as dele ajudaram a fundar o Partido dos Panteras Negras, grupo armado que lutava contra o racismo e o fascismo). 

Emicida é um grande símbolo da resistência negra na América Latina atualmente, e suas letras, mesmo as mais infantis delas, possuem mensagens históricas e atuais poderosas. Agora que já analisamos mais de perto o trabalho do cantor, vamos responder uma questão! 

Exercício 1: (UFSC 2015)

Protestos realçam divisão racial nos EUA

Os protestos pedindo justiça pela morte do adolescente negro Michael Rown, 18, assassinado com seis tiros pelo policial branco Darren Wilson, 28, estão tão “rachados” quanto a segregada comunidade entre brancos e negros.

Durante o dia, mesmo sob o sol de 35 ºC, famílias inteiras portam cartazes coloridos e levantam os braços aos gritos de “não atire” pelas calçadas da avenida West Flosissant, que corta a pequena Ferguson, de 21 mil habitantes, subúrbio de Saint Louis. Folha de São Paulo, 10 ago. 2014. A10.

Sobre segregação, conflitos e defesa dos direitos de afrodescendentes, é CORRETO afirmar que:

1) entre as conquistas do movimento negro brasileiro, pode-se citar a oficialização do Dia Nacional da Consciência Negra, a aprovação de cotas para afrodescendentes em universidades públicas e a obrigatoriedade do ensino de história da África e afro-brasileira na Educação Básica.

2) o arianismo, defendido pelo nazismo, afirmava que os arianos possuíam características de uma “raça superior”, servindo de justificativa para a perseguição de todos os que não as possuíam. Os negros, no entanto, foram poupados desta segregação.

4) no século XX, a segregação racial dos negros nos Estados Unidos se traduziu, por exemplo, pela separação do uso de espaços comuns, como transportes, banheiros e praças públicas.

8) na década de 1950, Rosa Parks, cidadã negra americana, realizou um ato de manifestação contra a segregação quando, em um ônibus, se recusou a ceder seu lugar para um passageiro branco. A ação não teve maiores consequências, constituindo-se em um ato isolado.

16) o Partido Pantera Negra para Autodefesa foi criado na década de 1960 e compartilhava os ideais pacifistas defendidos pelo líder da resistência negra nos Estados Unidos, Martin Luther King.

32) entre as várias formas de resistência à escravidão, está a formação de quilombos, cujas comunidades remanescentes ainda são encontradas em diferentes locais do Brasil.

RESPOSTAS CORRETAS: 1, 4 e 32 

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Sobre o Autor

Raphaele Godinho
Raphaele Godinho

Raphaele Godinho: Estudante de Relações Internacionais, coordenação do movimento Resgatando e Valorizando a Mulher, Three Dot Dash Global Teen Leader 2020 by We Are a Family Foundation.