O espaço urbano como representação da desigualdade

Quando se anda pelas cidades brasileiras, especialmente nas metrópoles ou nas áreas mais urbanizadas, é possível distinguir com clareza onde moram as pessoas com mais poder aquisitivo e onde moram os grupos marginalizados e pobres, pois as cidades são a materialização da desigualdade social, elas são um reflexo das relações do modo de produção capitalista, no qual existe uma classe dominante e proprietária e outra classe dominada e desprovida de meios de produção, obrigada a vender sua força de trabalho para sobreviver.

Essa problemática, muitas vezes, é decorrente de questões sociais e históricas que inserem cidadãos e até grupos étnicos em contextos de subalternidade. Um exemplo desse processo foi a escravidão no Brasil, a qual ainda expressa suas marcas ao concentrar a maior parte da população negra em áreas periféricas, com baixos níveis de renda e escolaridade. Assim, nota-se que essa segregação de classes no espaço urbano não influi apenas nas condições materiais de vida dos indivíduos, mas também em seus direitos básicos e inalienáveis, como o acesso à saúde, à educação e as condições de saneamento básico adequadas.

Essa manifestação da desigualdade social no espaço urbano é um problema sistêmico e estrutural, responsável por processos como a segregação socioespacial e a gentrificação, os quais perpetuam e consolidam o fenômeno de distinção de classes na sociedade capitalista.

Fonte: https://suportegeografico77.blogspot.com/2017/10/o-que-e-desigualdade-social.html

Segregação socioespacial

Pode-se definir segregação socioespacial como a separação das diferentes classes sociais em determinados espaços no interior das cidades, promovendo o afastamento ou o isolamento e dificultando e até coibindo o contato entre essas classes distintas. As áreas ocupadas pelas classes mais afortunadas possuem melhores condições de infraestrutura e de serviços públicos, como tratamento de esgoto, iluminação pública, espaços de lazer, transporte coletivo etc. Com isso, pode-se afirmar que a segregação urbana é a representação geográfica da segregação social, a qual está relacionada ao processo de divisão e luta de classes, marcado por uma classe dominante, detentora dos privilégios sociais, econômicos, políticos  e geográficos trazidos pelo dinheiro, e uma classe dominada, à mercê da própria sorte, sem auxilio estatal significativo, sem oportunidades de ascensão e sem condições dignas de vida.

Gentrificação

É um processo em que ocorre a ressignificação do espaço geográfico urbano, sobretudo em função de uma valorização acentuada e do enobrecimento da área antes considerada periférica. Essa alteração do valor da área ocorre devido a uma descentralização, na qual as áreas centrais onde se concentram as atividades urbanas e os principais serviços multiplicam-se e disseminam-se para outras áreas. Assim, os espaços, que antes eram desvalorizados e sem estrutura, ressignificam-se, passando pela especulação imobiliária e pela modernização de seus espaços. Devido a essas mudanças o custo de vida local aumenta, com isso, a população pobre residente do local é gradativamente expelida, visto que não possuem poder aquisitivo correspondente ao entorno, e substituída por grupos sociais mais abastados. Por fim, percebe-se uma mudança brusca na paisagem: as zonas compostas por guetos, casas simples e pobreza, transformam-se em condomínios, prédios e casas de médio e alto padrão. As feiras, comércio locais e pequenos comerciantes são substituídos por filiais de grandes lojas e por produtores de mercadorias requintadas. Assim, a realidade local se transforma, e a população que residia no local é “empurrada” para as periferias da cidade.

Questão – Enem 2017

A configuração do espaço urbano da região do Entorno do Distrito Federal assemelha-se às demais aglomerações urbanas e regiões metropolitanas do país, onde é facilmente identificável a constituição de um centro dinâmico e desenvolvido, onde se concentram as oportunidades de trabalho e os principais serviços, e a constituição de uma região periférica concentradora de população de baixa renda, com acesso restrito às principais atividades com capacidade de acumulação e produtividade, e aos serviços sociais e infraestrutura básica.

CAIADO, M.C. A migração intrametropolitana e o processo de estruturação do espaço urbano da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno. IN: HOGAN, D.J. et al. (Org). Migração e ambiente nas aglomerações urbanas. Campinas: Nepo/Unicamp, 2002.

A organização interna do aglomerado urbano descrito é resultado da ocorrência do processo de

A) expansão vertical.
B) polarização nacional.
C) emancipação municipal.
D) segregação socioespacial.
E) desregulamentação comercial.

A alternativa correta é a letra D.

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