Operação Condor

A Guerra Fria forneceu ao contexto mundial um forte espírito anticomunista, no qual se disseminava que um espectro vermelho rondava os países como uma ameaça à ordem, liberdade e qualquer tipo de organização social, econômica e política estável e benéfica aos cidadãos. Em 1959, com a Revolução Cubana, tal medo foi generalizado nas Américas e, assim, iniciou-se o desenvolvimento de um combate mais concreto e organizado aos potenciais focos revolucionários.

Entre as décadas de 1970 e 1980, realizou-se a Operação Condor, também denominada como Plano Condor, uma organização repressiva entre os serviços de inteligências das ditaduras militares da América do Sul – Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai – com o apoio e atuação da CIA (Serviço de Inteligência dos Estados Unidos). Protagonizada pelo general chileno Augusto Pinochet, composta por outros ditadores da época e alimentada pelo sentimento anticomunista generalizado pela Guerra Fria, a operação decorreu dos desdobramentos entre a onda de Golpes de Estado nos anos 1960 e 1970 e a ascensão das mobilizações civis que emergiam na América Latina contra a dominação norte-americana e pela implementação do socialismo ou regimes efetivamente democráticos.

Figura reproduzida do site: https://memoria.ebc.com.br/2012/09/comissao-da-verdade-cria-grupo-para-investigar-operacao-condor

A operação repressiva supranacional consistia em:

  • Ações de intercâmbio de informações: criação de um centro de informações de controle e monitoramento de pessoas e organizações compreendidas como subversivas aos governos vigentes. Estruturada através de uma ampla rede de rádio militar, concedida pelo Exército dos Estados Unidos, o sistema de comunicação visava a sistematização e compartilhamento de informações entre os membros do Plano Condor;
  • Ações de aniquilação de opositores políticos dos regimes ditatoriais vigentes: realizadas em conjunto pelas agências de inteligência das ditaduras do Sul da América, tais ações objetivavam sufocar qualquer tipo de subversão ao regime e, para tanto, utilizavam-se de sequestros, torturas e assassinatos contra os opositores;
  • Ações de expansão de controle: operação de inteligência para ampliar o acesso e controle de informações e pessoas da Operação Condor às outras partes do mundo.

As ditaduras sul-americanas desrespeitavam as convenções internacionais de Direitos Humanos, em seus territórios não havia refúgio seguro aos cidadãos e, especialmente, aos opositores. Ações de controle e monitoramento estavam dispersas sobre os países, os espiões dos serviços de inteligência se infiltravam nos mais variados lugares, desde embaixadas até empresas telefônicas e bancos estaduais, assim, conseguiam identificar os perseguidos políticos através da utilização que estes faziam dos serviços.

O caráter clandestino da Operação impede que os danos que dela advieram sejam calculados com precisão, mas é estimado que morreram, ao menos, 40 mil pessoas, sendo 30 mil destas mortas na Argentina, pois nesse período o país vivia o ápice da repressão com a ditadura do general Videla.  

Em 2014, foi estabelecido um acordo de cooperação internacional, assinado pelo Brasil e Argentina, para investigar as ações e crimes cometidos pela Operação Condor durante as ditaduras militares. No Brasil foram encontrados documentos das Forças Armadas, na residência do tenente-coronel Paulo Malhães, que comprovam a rede internacional de ações criminosas da Operação.

Em 2015, na Itália, ocorreu a primeira audiência do processo contra os acusados de participação na Operação Condor. Os 32 indiciados respondem aos crimes de sequestro, tortura e homicídio de 43 pessoas de diferentes nacionalidades.

Questão

(ENEM 2016) A Operação Condor está diretamente vinculada às experiências históricas das ditaduras civil-militares que se disseminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 1976). Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-militares (em menor ou maior medida) com base na Doutrina de Segurança Nacional e tendo como principais características um anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno, a imposição do papel político das Forças Armadas e a definição de fronteiras ideológicas.

(PADRÓS, E. S. Et al. Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): história e memória. Porto Alegre: Conag, 2009. (adaptado).

Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a referida operação tinha como objetivo coordenar a:

a) modificação de limites territoriais.

b) sobrevivência de oficiais exilados.

c) interferência de potências mundiais.

d) repressão de ativistas oposicionistas.

e) implantação de governos nacionalistas.

A alternativa correta é a letra D.

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Sobre o Autor

Brenda Buzzo
Brenda Buzzo

Estudante de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Possui formação técnica na área de alimentos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus São Roque. Tem experiência em pesquisa na área de sociologia da alimentação e possui interesse nas áreas de pensamento social, estudos de gênero e sociologia política.