Os 150 anos da Comuna de Paris

Há exatos 150 anos, em 18 de março de 1871, iniciava-se uma insurreição proletária em Paris, que, após as eleições realizadas em 26 de março do mesmo ano, daria início a uma das primeiras experiências de autogestão da classe trabalhadora na história: a Comuna de Paris.

Por 71 dias, entre março e maio de 1871, os “communards” (como eram chamados os revolucionários parisienses membros da Comuna) governaram a capital francesa. O levante popular foi considerado uma tentativa de materialização das teorias socialistas – influenciadas pelo marxismo e outras correntes subversivas à ordem vigente (capitalista, com o poder centralizado no Estado etc) – e representou uma possibilidade real de conquista de poder aos movimentos operários de outros países.

Figura reproduzida do site: https://www.pagina13.org.br/curso-150-anos-da-comuna-de-paris/

Contexto Histórico

  • Em meados do século XIX, a Europa estava marcada por turbulências, guerras e por discussões acerca das condições sociais existentes;
  • Fim da Era Napoleônica;
  • Segunda fase da Revolução Industrial e, consequentemente, a expansão do capitalismo;
  • Crescimento das cidades e a formação de uma classe social específica, a classe operária;
  • Aprofundamento das desigualdades sociais em decorrência do processo de industrialização e intensificação do capitalismo;
  • Todos esses problemas sociais culminaram na ascensão de teorias, como o socialismo, anarquismo e outras ideias de teóricos críticos à desigualdade, a miséria e as péssimas condições de trabalho;
  • Em 1848 ocorre a publicação do Manifesto comunista, dos autores Karl Marx e Friedrich Engels, responsável por fortalecer o movimento socialista. A partir disso, o marxismo torna-se um ponto de referência às lutas sociais, como ocorreu na Comuna de Paris.

Principais causas e motivações da insurreição

  • Terríveis condições de trabalho dos operários franceses;
  • A derrota francesa para a Prússia na guerra Franco-prussiana (1870-1871) e a prisão do Imperador Napoleão III;
  • Manifestações populares em prol de uma resposta francesa aos ataques prussianos;
  • Formação do governo provisório decorrente da prisão do imperador, no qual Adolphe Thiers, um representante da burguesia, assumiu o poder;
  • Rendição francesa à Prússia com um armistício humilhante, o que gerou grande insatisfação popular;
  • Aumento dos impostos aos trabalhadores, uma tentativa do governo francês para cobrir as dívidas decorrentes da guerra;

A tomada de Paris

A somatória desses fatores gerou uma rebelião popular contra Thiers, o qual teve que transferir a sede de seu governo para Versalhes. A insatisfação das massas decorrente dessa ação somada à incapacidade que os exércitos franceses demonstraram para defender a capital, resultou na tomada de poder de Paris pelas classes pobres e operárias, estabelecendo, assim, um governo popular, chamado Comuna de Paris. Um governo baseado na experiência jacobina da Revolução Francesa.

O poder foi organizado por meio do Conselho da Comuna, composto por 71 delegados eleitos por sufrágio universal, que receberiam um salário similar ao de um operário médio; e a Guarda Nacional foi desarmada, entregando as armas à população – inclusive as mulheres. Com isso, inaugurava-se não apenas um governo popular, mas também uma forma de defesa popular da cidade.

Figura reproduzida do site: https://revistaculturacidadania.blogspot.com/2014/05/cine-debate-as-mulheres-na-comuna-de.html

Ademais, a Comuna estabeleceu medidas que combatiam diretamente as situações de desigualdade presentes na cidade francesa, tais como ensino gratuito e obrigatório, controle dos preços dos alimentos, igualdade civil entre homens e mulheres, supressão do trabalho noturno, criação de pensões, separação entre o Estado e a Igreja e outras medidas com foco na liberdade, igualdade e fraternidade.

Fim do governo popular

Thiers e outros políticos do governo republicano burguês, que haviam sido retirados do poder pelos revoltosos, organizaram uma reação à Comuna. Assim, na Semana Sangrenta (de 21 a 28 de maio de 1871) o Exército de Versalhes invadiu Paris de maneira extremamente violenta: mataram indiscriminadamente homens, mulheres e crianças supostamente simpatizantes da Comuna e prenderam e exilaram outra parcela da população. Estima-se que 20.000 pessoas foram executadas e outras 40.000 foram transferidos a Versalhes para serem presos na França ou foram deportados para as colônias penais na Guina Francesa e na Nova Caledônia.

Em maio de 1871, os republicanos reestabeleceram a ordem na capital francesa e voltaram ao poder, encerrando o governo popular socialista de composição operária.

Questão

(ENEM PPL 2013) Sou um partidário da Comuna de Paris, que, por ter sido massacrada, sufocada no sangue pelos carrascos da reação monárquica e clerical, tomou-se ainda mais viva, mais poderosa na imaginação e no coração do proletariado da Europa; sou seu partidário sobretudo porque ela foi uma negação audaciosa, bem pronunciada, do Estado.


BAKUNIN, M. apud SAMIS, A. Negras tormentas: o federalismo e o internacionalismo na Comuna de Paris. São Paulo: Hedra. 2011.

A Comuna de Paris despertou a reação dos setores sociais mencionados no texto, porque

a) Instituiu a participação política direta do povo.

b) Consagrou o princípio do sufrágio universal.

c) Encerrou o período de estabilidade política europeia.

d) Simbolizou a vitória do ideário marxista.

e) Representou a retomada dos valores do liberalismo

A alternativa correta é a letra A.

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