Os filósofos pré-socráticos: a Filosofia da natureza

No início da filosofia na Grécia, eram buscadas respostas à criação do mundo, assim, a cosmogonia (explicação do surgimento do universo) presente nos mitos foi sendo substituída pela cosmologia, uma explicação racional pautada em hipóteses lógicas e argumentativas. Os primeiros filósofos gregos, chamados pré-socráticos, dedicaram grande parte dos seus estudos tentando estabelecer uma cosmologia. Além disso, refletiam acerca da essência do ser, do pensamento e do comportamento humano, ou seja, uma discussão de base ontológica.

Fonte: http://malucospelahistoria.blogspot.com/2015/07/a-origem-da-filosofia-grega.html

Principais filósofos

Tales de Mileto (aproximadamente VII-VI a.C.)

Foi um filósofo, matemático e astrônomo que viveu na cidade de Mileto, na Jônia (região litorânea da atual Turquia). Ele não deixou escritos e tudo que se sabe sobre ele e suas ideias é decorrente de referências de outros filósofos.

Para Tales de Mileto, a água é a origem de tudo, ou seja, é o princípio responsável pela vida. Tendo visitado o Egito, ele viu como a água do Nilo era capaz de dar vida ao deserto e de gerar transformações no entorno. Com isso, ele concluiu que a constante mudança é uma característica de todas as coisas, assim, elas teriam uma espécie de “alma”, mas, não é alma no sentido religioso comumente utilizado, é uma referência a propriedade que tudo possui em comum, isto é, um princípio de unidade. Em vista disso, Tales afirma “todas as coisas estão cheias de deuses”.

Pitágoras de Samos (aprox. VI a.C.)

O filósofo e matemático grego, Pitágoras, nasceu na ilha de Samos. A partir da observação do céu e dos corpos celestes, os pitagóricos concluíram que existia um Kosmos, isto é, havia uma ordem ou princípio de organização da natureza e do mundo. Sendo assim, ao desvendar tal ordenamento, o trabalho do intelecto aproximaria o ser humano dessa ordem harmônica e, o resultado, seria a possibilidade de reconciliação entre a alma humana e a “pátria celeste”.

Ademais, ele também afirmava que o ordenamento das coisas e das pessoas se expressava através dos números, pois eles não eram apenas símbolos para expressar o valor de uma grandeza, mas o princípio por trás de tudo, como verdadeiras divindades. Assim, a matemática assume uma importância primordial em sua reflexão.

Parmênides de Eleia (aprox. 530-460 a.C.)

Passou sua vida na Eleia, colônia grega, atual Itália e foi autor da poesia “Sobre a natureza”, que contém suas ideias filosóficas inspiradas em suas observações das mudanças na natureza, a qual, apesar de mudar, ainda possuía algumas características que a fazia permanecer sendo o que era. Em suas palavras “O que é, é”, ou seja, as mudanças percebidas pelos sentidos são enganadoras, pois afastam os seres humanos daquilo que é eterno, imutável e verdadeiro: o ser. O “ser” (aquilo que é) se opõe ao “devir” (o vir a ser ou tornar-se). Por exemplo, uma árvore pode ser incendiada, pode ser derrubada ou pintada, mas sempre existiram e sempre existirão outras árvores e sempre continuarão sendo árvores. Parmênides costuma ser considerado o fundador da ontologia, o estudo do ser.

Heráclito de Éfeso (aprox. 535-475 a. C.)

São conhecidos apenas fragmentos de sua obra, o que dificulta a compreensão, no entanto, sabe-se que Heráclito era contemporâneo de Parmênides e desenvolveu um pensamento oposto ao do filósofo.

Para Heráclito, a natureza está em constante modificação, nas palavras do autor: “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois novas águas sempre correrão”. Essas mudanças são decorrentes de um constante jogo de opostos presentes na natureza, como quente/frio; seco/molhado; dia/noite. Esse jogo de opostos ocorre em harmonia e isso formaria a unidade dinâmica da natureza. O que está por trás de todas essas mudanças é o Logos (princípio racional do mundo real), isto é, o elemento de organização e racionalização das mudanças realizadas pela natureza, sua causa.

Demócrito de Abdera (aprox. 460-370 a. C.)

Demócrito concordava com a ideia de Heráclito, segundo a qual tudo mudo, porém afirmava que as mudanças que ocorriam na natureza eram limitadas, visto que todas as coisas eram formadas por um número de pequenas partes, denominadas átomos. De acordo com Demócrito, existiam átomos de vários tipos, os quais se agrupavam formando corpos e substâncias variadas. Além disso, esses átomos eram indivisíveis, caso contrário, a natureza se desmancharia.

Questão – Enem 2016

Texto I 

Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.

HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo; Abril Cultural, 1996 (adaptado)

TEXTO II

Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se?

                                                                                           Parmênides. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado)

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das

A) investigações do pensamento sistemático.

B) preocupações do período mitológico.

C) discussões de base ontológica.

D) habilidades da retórica sofística.

E) verdades do mundo sensível.

A alternativa correta é a letra C.

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