Por que o Enem / Sisu é melhor que os vestibulares tradicionais

Por Fernando Buglia. 

Com a criação do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), do MEC, uma discussão ganhou força em todo o território nacional. Qual opção de acesso as universidades públicas é mais interessante para o país? Os antigos vestibulares tradicionais ou o Enem, através do Sisu?

De forma direta: Entendo que o Enem / Sisu é (disparado!) a melhor opção! Explico adiante os motivos que me levam a pensar assim.

Embora o Enem seja o maior vestibular do país, ele traz uma característica que o difere de todos os outros.

Nos chamados vestibulares tradicionais, os estudantes, no momento da inscrição, já fazem (ou faziam) suas escolhas. Ou seja, feita a prova do processo seletivo da instituição, bastava esperar o resultado, que era resumidamente um “passou” ou “não passou”.

No Enem é diferente. Você faz a prova e só depois de aproximadamente dois meses, faz sua escolha, através do Sisu. Estranho, né?

Olhando de uma maneira superficial, até parece. Mas essa maneira “invertida” do Sisu selecionar os candidatos traz inúmeros benefícios. Veja os mais importantes:

1 – Adiar as escolhas dos jovens numa época de muitas dúvidas.
Quem é (ou já foi) um vestibulando sabe muito bem o quão difícil é escolher o curso (e consequentemente sua carreira) aos 17 / 18 anos. Como o Sisu sempre utiliza as notas do último Enem, o momento para escolher seu curso será feito poucos dias antes da matrícula na respectiva universidade. Isso mesmo! Um exemplo foi este ano (2013). O primeiro Sisu de 2013 acabou no dia 11 de janeiro e a convocação para a matricula dos estudantes selecionados iniciou no dia 14 de janeiro! Ou seja, embora pareça pouca coisa, atrasar uma das principais escolhas da sua vida em 6 ou 7 meses lhe dá a opção de pensar e analisar melhor o que quer seguir.

2- É mais justo, pois os candidatos podem disputar vagas em todo o território nacional.
Essa talvez seja a maior vantagem da forma de seleção que o Enem / Sisu proporciona em relação aos vestibulares tradicionais. Como praticamente 100% das universidades federais aderiram ao Sisu, quem fez o Enem 2013 irá disputar vaga em todo o território nacional. Antigamente, um estudante da região norte do país com baixo poder aquisitivo, dificilmente iria disputar uma vaga na UFSCar. O mesmo teria que viajar até o estado de São Paulo para realizar as provas. Além do custo das passagens, teria também as despesas da hospedagem. Essa forma de seleção, evidentemente, excluía milhões de estudante da possibilidade de entrar em diversas universidades públicas! Hoje é diferente. Esse suposto estudante, fazendo o Enem próximo da sua casa, é concorrente direto das vagas oferecidas pela UFSCar, assim como de qualquer instituição participante do Sisu.

3 – Possibilidade de mudar de curso ou de instituição, de acordo com o seu rendimento.
Antigamente era assim: Escolhia a universidade e o curso. Fazia a prova. E o resultado era simples: “Aprovado”, “lista de espera” ou “não aprovado”. Com a implantação do Sisu, é diferente. O sistema informatizado do MEC, que permanece aberto geralmente 5 dias, possibilita que os estudantes alterem suas escolhas. Por exemplo: Suponha que um candidato escolheu medicina na UFRJ. Caso note, ao longo do Sisu, que seu desempenho no Enem não possibilitará a aprovação, esse candidato pode mudar sua opção! Pode tentar medicina na UFMG, por exemplo. E a possibilidade de mudança não fica restrita às instituições. Esse candidato pode se inscrever em biologia na UFRJ. Dessa forma, fica evidente que a chance de conseguir uma vaga é bem maior.

É claro que muitas mudanças ainda são necessárias no Enem. Embora tenha melhorado bastante a questão da segurança, o exame ainda precisa de aperfeiçoamento nesse quesito. Ainda existe o problema de fiscais mal preparados. Sei também que, por ser diferente, o Sisu gera confusão e desespero em muitos candidatos.

Mas acredito que, mesmo com esses problemas, o Enem já se tornou bem mais interessante que os vestibulares tradicionais, pois não existe nenhuma dúvida que essa forma de seleção (Sisu) é mais justa, dinâmica e eficiente se comparada aos antigos processos seletivos.

 


*Fernando Buglia é formado em física pela UNICAMP e atua como professor de ensino médio e cursinho pré-vestibular na rede particular. Também é um dos criadores do site infoEnem.

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