Questões de Física do Enem 2013 – Opinião de professor

Questão Exemplo de Física da Apostila Enem 2013Por Fernando Buglia

Quando o assunto é vestibular, a disciplina de Física sempre causa intensos calafrios nos estudantes. E não é para menos. Nos vestibulares tradicionais, como USP e Unicamp, tal disciplina sempre cobrou conhecimentos muito específicos e contas bastante complexas.

No entanto, pelo menos tendo em vista a proposta inicial do MEC, de 1998, o Enem teria como meta mudar esse panorama, pois exigiria dos candidatos muito mais interpretação e raciocínio ao invés da temida “decoreba”. Além disso, traria situações bem mais próximas do dia a dia dos estudantes.

Mas será que o MEC conseguiu, de fato, atingir essa meta?

A resposta, pelo menos na disciplina de Física, é: mais ou menos!

Em 2009, com a criação do SiSU (no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Enem) a disciplina de Física, como todas as outras, parece ter perdido, pelo menos em parte, as características da proposta inicial citada anteriormente.

Especificamente na disciplina de Física, podemos perceber que o conteúdo começou a ser amplamente cobrado. Eletrodinâmica, ondulatória, hidrostática e até física moderna são presenças quase certas na prova do Enem. Dessa forma, o estudo tradicional ainda é a principal forma de garantir uma boa nota.

Entretanto, se compararmos com os vestibulares tradicionais, as questões de física merecem algumas ressalvas. Vamos relembrar (e analisar) algumas delas que apareceram no último Enem (2013) antes de destacarmos esses pontos. A numeração das questões abaixo são referentes ao caderno branco (clique aqui para fazer o download do arquivo em PDF).

A primeira que merece destaque é a questão 52. Aquela do paraquedista que atingia a velocidade limite antes e depois depois da abertura do paraquedas! Uma questão simplesmente fantástica que, sem apresentar necessidade de conta alguma, conseguiu exigir do candidato raciocínio, interpretação de gráfico e conteúdos fundamentais da física, como queda livre e Leis de Newton.

Outra questão importante na análise que quero fazer é a 58, que indagou os estudantes quanto a forma de montar um cortador de carne de um açougueiro de maneira que esteja dentro do limite de segurança proposto no enunciado. Seguindo exatamente a mesma característica da questão analisada anteriormente, esta também exige conhecimentos importantes da física, no caso a cinemática do movimento circular uniforme (MCU) e suas aplicações. Conhecer e entender as diferenças entre velocidades lineares e angulares era fundamental para chegar a resposta correta. Novamente nenhuma conta era necessária.

Quanto as questões de eletrodinâmica (foram três no total), todas usaram exemplos do cotidiano e conceitos importantes de eletricidade, como Leis de Ohm e potência elétrica. A questão 68 era referente a utilização de aparelhos de medição (voltímetro e amperímetro). Novamente não era cobrada nenhuma conta. Nas outras duas, resolver equações se fazia necessário. Entretanto, apenas a da ponte de Wheatstone não equilibrada (Questão 79) tinha a matemática como “empecilho”. Na outra, que mais uma vez falava sobre chuveiro, as contas eram relativamente simples.

Hidrodinâmica? Mesma coisa! Tinha que compreender a primeira Lei de Newton e uma das aplicações mais importantes do Teorema de Pascal – a prensa hidráulica. Dessa forma, bastava uma leitura atenta que as contas (novamente!) eram bem tranquilas. Eletromagnetismo? Idem! Tinha que saber sobre força elástica e força magnética em condutores imersos em campos magnéticos. Depois de uma boa leitura, bastava resolver uma equação de primeiro grau!

Assim sendo, após uma breve análise de algumas questões da prova de física do Enem 2013, podemos traçar algumas características que ainda se mantém fiéis à proposta inicial do exame, uma que sofreu modificação e outra que nem existe mais.

Primeiro as características que continuam:

  • Exercícios que dão preferência a situações do cotidiano.
  • Necessidade de boa interpretação de textos e gráficos.

Agora, aquela que sofreu alteração:

  • Antigamente, as contas praticamente não eram cobradas. Agora, diversos exercícios necessitam das contas. Entretanto, vale destacar que a grande maioria envolve uma matemática simples, sendo poucos os que necessitam de uma matemática mais complexa. Portanto, as contas fazem parte das questões de física, mas definitivamente não são o foco!

E, por último, aquela que deixou de existir:

  • Antes da criação do Sisu, em 2009, os conceitos da física que eram cobrados no exame eram demasiadamente simples. Hoje, não tem como negar que esses conteúdos que aparecem na prova são tão profundos quanto a primeira fase da Fuvest, por exemplo.

Conclusão: Na minha opinião, a prova de física do Enem mudou e para melhor! Está conteudista (afinal, o Enem virou um vestibular gigantesco!), mas ainda explora muito a boa interpretação de gráficos e textos. A matemática, claro, se faz necessária, mas não é, de forma alguma, a maior dificuldade da maioria das questões, pois não apresenta contas mirabolantes. Além disso, diversos problemas fazem parte do dia a dia dos estudantes.

Enfim, uma bela prova que irá selecionar aqueles que estudaram e se interessaram por diversos assuntos. Apenas uma ressalva quanto ao pouco tempo dado para resolver cada item. Mas essa é outra discussão e que, na verdade, é problema da prova como um todo e não apenas na disciplina de física.

 


*Fernando Buglia é formado em física pela UNICAMP e atua como professor de ensino médio e cursinho pré-vestibular na rede particular. Também é um dos criadores do site infoEnem.

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