Redação no ENEM: Como Evitar a Prolixidade

O leitor André Fernandes Silveira enviou-nos uma mensagem via e-mail na qual conta que não consegue focar em um aspecto específico ao escrever uma dissertação-argumentativa, principalmente se o tema for de seu conhecimento, pois ele acaba escrevendo demais e, consequentemente, saindo do contexto, além de essa situação deixá-lo nervoso. Assim, André nos pediu orientações acerca deste problema e, desde já, aproveitamos para agradecê-lo pelo contato.

Isto é mais comum do que se imagina. Há pessoas que reclamam que demoram para começar a escrever, pois ficam muito tempo pensando no que e em como irão redigir uma redação, seja na escola ou no vestibular ou concurso público, mas há também pessoas que relatam o mesmo que André, já que acabam sendo prolixas, isto é, usam palavras demais, já que não sabem ou não são capazes de sintetizar o raciocínio e, consequentemente, escrevem textos cansativos e longos demais.

Ambos os casos geram nervosismo e estresse, mas isto pode ser trabalhado por meio do ato de resumir. Em outras ocasiões, já abordamos a importância do resumo anterior ao texto a fim de planejá-lo e organizá-lo pensando – especificamente, na dissertação-argumentativa, o tipo de texto pedido do Enem – na sua estrutura básica (título, introdução, desenvolvimento e conclusão).

Normalmente, orienta-se que o resumo seja feito antes da redação com este intuito, a fim do candidato selecionar sua tese e seus argumentos principais e arquitetá-los por meio das estratégias argumentativas (dados, exemplos etc) e, enfim, mas não menos importante, elaborar a conclusão na qual geralmente deve constar, no caso do Enem, a proposta de intervenção social.

O Enem possui esta característica específica – a proposta de intervenção social – e, no fundo, ela é um dos principais objetivos da prova de redação do exame: abordar o tema a fim de elaborar uma proposta de solução para ele, já que normalmente trata-se de uma questão ou um problema de cunho social. Tendo isso em mente, existe a possibilidade de iniciar o rascunho pela proposta de intervenção social e a partir dela planejar o restante da redação, já que ela deve estar em consonância com o restante (tese, argumentos principais e estratégias argumentativas).

Estas duas primeiras dicas servem melhor, ao nosso ver, para aqueles que possuem dificuldades em começar a escrever e a próxima é mais adequada para aqueles que são prolixos.

A prolixidade não atrapalha no início da produção texto nem no processo criativo, digamos assim, mas faz mal ao planejamento da redação, já que nos vestibulares há um espaço limitado por um certo número de linhas para se escrever, além do que, posteriormente, na universidade, os professores pedirão artigos científicos, relatórios, ensaios, projetos e monografias que também terão um limite de linhas; daí a importância de não sermos prolixos.

A dica para estes casos é fazer o resumo entre a primeira versão e a versão final, ou seja, o candidato deve escrever uma versão inicial e, assim que a acabar, resumi-la e, finalmente, depois, passá-la a limpo na folha definitiva da prova. Ao resumir a redação entre uma versão e outra é possível selecionar os melhores argumentos, as melhores estratégias argumentativas e organizar melhor o texto; é o que chamamos de “passar a foice”, isto é, cortar tudo o que é desnecessário e prolixo visando um texto mais objetivo e claro possível, já que a prolixidade faz com haja repetições. A última versão deverá ser menor, melhor e mais objetiva do que a primeira.

Resumindo antes ou depois, podemos perceber a importância fundamental da reescrita no processo de produção textual. Como já dissemos em uma outra ocasião, autores consagrados reescrevem suas obras quantas vezes forem necessárias até atingirem seus objetivos. Ao escrever redações em casa ou na escola, obviamente há mais tempo e dedicação para a reescrita, o que não acontece no dia do Enem, por exemplo, mas quanto mais reescrever, melhor ficará e, no dia do exame, isso já fará parte do hábito e será realizado dentro do tempo disponível.

Como saber qual dica seguir? Teste ambas (durante a lição de casa, no estudo autônomo e nas provas de redação da sua escola, a fim de também testar o controle do tempo) e analise em qual você saiu-se melhor, levando em conta seu conforto e desempenho; converse com o seu professor, pois ele pode lhe orientar com um olhar mais focado.

Já em relação ao nervosismo e ao estresse, estudar e preparar-se é a melhor maneira de controlá-los, pois assim a tranquilidade de saber que tudo o que era preciso foi feito toma conta. Respirar fundo e pausadamente, algumas vezes, também ajuda, e muito, a relaxar em um momento de tensão.

 


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC).

**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos milhares de leitores! Seus artigos serão publicados todas às quintas-feiras, não percam!

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