Sabia que Física Moderna cai (e muito!) no Enem?

Por Fernando Buglia.

Com a criação do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), o Exame Nacional do Ensino Médio sofreu grandes modificações no ano de 2009. Um dia de prova ( com 63 questões) transformou-se em dois dias (com 180 questões)!

Mas a principal mudança talvez nem tenha sido na quantidade de questões e no tamanho da prova. A dificuldade da prova subiu significativamente. Em outras palavras, uma prova antes considerada fácil ganhou, em diversas disciplinas, um caráter bem mais complexo e conteudista.

Claro que a proposta ainda é diferente daqueles vestibulares tradicionais. Mas diversos assuntos que jamais foram cobrados em anos anteriores ao de 2009 viraram aposta “quase certa” nas edições mais recentes.

E uma das matérias que deixa mais nítida essa mudança é a Física. Vou exemplificar com uma questão que apareceu no Enem do ano passado (2012) e que mostra como o conhecimento sobre o espectro eletromagnético vem aparecendo no exame:

Nossa pele possui células que reagem à incidência de luz ultravioleta e produzem uma substância chamada melanina, responsável pela pigmentação da pele. Pensando em se bronzear, uma garota vestiu um biquíni, acendeu a luz de seu quarto e deitou-se exatamente abaixo da lâmpada incandescente. Após várias horas ela percebeu que não conseguiu resultado algum. O bronzeamento não ocorreu porque a luz emitida pela lâmpada incandescente é de

a) baixa intensidade.
b) baixa frequência.
c) um espectro contínuo.
d) amplitude inadequada.
e) curto comprimento de onda.

 

Antes de comentar a mudança citada anteriormente, vamos ver a resolução elaborada por mim e pelo professor Felipe Almendros:

 

Alternativa B

A pessoa não consegue se bronzear com a lâmpada incandescente, pois a mesma emite a maior parte das ondas eletromagnéticas como luz visível, em outras palavras, no espectro visível e não na faixa do ultravioleta, necessário para o bronzeamento.

Analisando o espectro das ondas eletromagnéticas, o ultravioleta tem comprimentos de ondas relativamente pequenos (10-8 m) e frequências altas (1016 Hz). Já o espectro da luz visível, emitido pelas lâmpadas incandescentes, é da ordem de 100 vezes maior para o comprimento de onda (10-6 m) e 100 vezes menor (1014 Hz) para a frequência. O gráfico abaixo apresenta parte do espectro eletromagnético, que corresponde à região visível:

(…) observa-se que a maior parte da radiação emitida pelo Sol encontra-se nessa faixa. Os menores comprimentos de onda (à direita) correspondem à radiação ultravioleta, que o Sol também emite e é a radiação responsável pelo envelhecimento precoce e pelo câncer de pele. Fonte: Física sem mistérios.

Logo, temos que a alternativa mais coerente refere-se à frequência menor (ou mais baixa) e/ou comprimento de onda maior da Luz visível (da lâmpada, no caso) em comparação com o ultravioleta.

Comentário: Outra questão de resolução relativamente simples, onde cobra do aluno conhecimentos de ondulatória e do espectro eletromagnético, a diferenciação entre luz visível e luz ultravioleta quanto à frequência. Um cuidado muito importante que o aluno deve ter é quanto às diferenças entre a frequência, o comprimento de onda e a amplitude de um raio de luz monocromático.

Conteúdo envolvido: Ondas eletromagnéticas.

 

*Essa resolução foi retirada das apostilas preparatórias para o Enem 2013. Clique aqui para ver outros exemplos.

Neste momento, vale destacar que inúmeras escolas, mesmo aquelas consideradas boas e que preenchem boa parte do conteúdo do ensino médio, quando falam de ondulatória (estudo sobre ondas) , não entram em detalhes no espectro eletromagnético. Na grande maioria das vezes acabam elencando as diferenças entre ondas eletromagnéticas e ondas mecânicas.

Entretanto, na questão acima destacada, o participante do Enem, além de entender o que é o espectro eletromagnético, necessitava saber que ao percorrer o espectro no sentido crescente da freqüência (ou decrescente em relação ao comprimento de onda), a energia da onda eletromagnética aumenta.

E ai? Achou fácil? Definitivamente não é!

Considerando que o candidato possuísse um bom conhecimento e familiaridade com espectro eletromagnético, a resolução torna-se quase imediata. Mas afirmar que era uma questão fácil ou que envolvia apenas física elementar é um absurdo.

E se você acha que essa foi apenas uma “triste” exceção, é bom se informar melhor! Dê uma olhadinha nas questões abaixo que, de uma forma ou de outra, o conhecimento do espectro ajudava muita nas resoluções.

  • Enem 2011 (prova rosa) – Questões 64,68 e 82
  • Enem 2009 (prova azul) – Questões 31, 32 e 37

Interessante notar que, numa delas, apareceu até o fenômeno de difração! Já ouviu falar? Só não confunda com refração, por favor!

Resumindo: As questões de Física do Enem claramente não têm como foco principal aquelas resoluções imensas como ocorre na segunda fase da Unicamp ou da Fuvest. Mas não ter foco em contas gigantescas não quer dizer que a prova está fácil! São duas análises completamente diferentes!

Aliás, se você vai prestar o Enem, não acha importante estudar o espectro eletromagnético?


*Fernando Buglia é formado em física pela UNICAMP e atua como professor de ensino médio e cursinho pré-vestibular na rede particular. Também é um dos criadores do site infoEnem.

 

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