Três filmes para entender o que é racismo

Nos últimos dias o mundo quase inteiro aderiu ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português). As reivindicações e luta contra o racismo ganharam força, mesmo em meio a uma crise de saúde pública, em virtude de dois ocorridos, que são entendidos como o estopim das revoltas: os assassinatos de George Floyd e de Breonna Taylor – ambos cometidos por policiais dos EUA.

Mas cabe lembrar que George e Breonna não são casos isolados, já que a violência contra pessoas negras é praticamente institucionalizada em países de origem escravista, como os EUA e o Brasil. A comoção quanto aos assassinatos de Breonna e George levantaram outro debate no Brasil: por que o racismo em outro país gera mais revolta do que o que ocorre aqui, em solo nacional?

Basta olhar para casos recentes como o do jovem João Pedro, assassinado pelo Estado brasileiro em operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro, ou mesmo o do menino Miguel, que teve em seu falecimento uma clara exposição das relações de trabalho no Brasil, que ainda seguem uma linha escravocrata que pressupõe uma superioridade racial. Os casos de João e de Miguel ganharam a mídia, porém muitos outros não são sequer citados pela imprensa – isso é fruto do racismo institucional.

O racismo institucional, de acordo com artigo publicado pelo Geledés, está relacionado com o tratamento desigual entre raças dentro de organizações, empresas, grupos, associações e etc – em suma, é tratar pessoas brancas e uma forma, e pessoas negras de outra, por exemplo. Tanto a policia brasileira quanto a estadunidense se encaixam nessa definição, afinal de contas são organizações construídas sob sociedades racistas e escravocratas – e os números não nos deixam mentir: as pessoas negras ainda são mais presas, mortas e violentadas pela polícia. Isso tudo é resultado do racismo institucionalizado em nossas sociedades. Uma maneira de combater esse sistema é a aplicação de políticas públicas (como as ações afirmativas do sistema de cotas em universidades e mesmo na política; com uma representatividade efetiva dentro dos organismos de tomada de decisão, legislações e mesmo políticas públicas mais efetivas poderão ser direcionadas para a população) e a reforma de instituições.

A temática da desigualdade racial já foi abordada de diversas maneiras no ENEM – seja na redação ou nas questões. Por esse motivo, fizemos uma seleção de filmes que podem ajudar o seu entendimento sobre essa problemática:

Documentário – A 13ª Emenda

Lembra que lá atrás falamos sobre como o racismo institucional está ligado ao passado escravista de países como o Brasil e os EUA? Esse documentário mostra isso na prática. Explorando os impactos contemporâneos da 13ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a obra ilustra como as instituições de segurança do governo têm bases racistas e também denuncia o quanto esse sistema prisional é lucrativo para companhias privadas de segurança em presídios. Ele está disponível na Netflix e tem 1 hora e 40 minutos de duração.

Curta-metragem – Cores e Botas

Esse curta não fala sobre violência abertamente, mas mostra como o racismo está nas pequenas coisas e como ele é enraizado na sociedade brasileira. Cores e Botas é um curta dirigido, produzido e escrito por Juliana Vicente, e conta a história de uma menina que vive no Brasil da década de 80 e tem como sonho ser paquita da Xuxa. Vinda de uma família rica, com muita determinação e talento, ela terá como barreira o racismo, presente não apenas nas interações com outras crianças, mas também com adultos. O filme tem pouco mais de 15 minutos e está disponível no Youtube.

Documentário – Menino 23

Esse é um daqueles filmes que assusta e surpreende na mesma proporção. Menino 23 conta a saga de um professor de história em busca de respostas após uma de suas alunas, durante uma aula sobre Segunda Guerra Mundial, lhe dizer que no sitio de sua família, no interior de São Paulo, haviam tijolos com desenhos da suástica nazista. Dessa experiência surge uma pesquisa muito mais ampla que descobre, por fim, experiências fascistas e de escravidão com crianças órfãs negras – isso em uma época onde a escravidão já havia sido abolida e tudo ocorria com aval de governo brasileiro. O filme tem 1h e 40 minutos de duração e está disponível no Youtube.  

Questão – Enem 2017

“O racismo institucional é a negação coletiva de uma organização em prestar serviços adequados para pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica. Pode estar associado a formas de preconceito inconsciente, desconsideração e reforço de estereótipos que colocam algumas pessoas em situações de desvantagem”.

GIDDENS,A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012 (adaptado).

O argumento apresentado no texto permite o questionamento de pressupostos de universalidade e justifica a institucionalização de políticas antirracismo. No Brasil, um exemplo desse tipo de política é a:

a) reforma do Código Penal.

b) elevação da renda mínima.

c) adoção de ações afirmativas.

d) revisão da legislação eleitoral.

e) censura aos meios de comunicação.

 ALTERNATIVA CORRETA: C.

Acesse o portal InfoEnem e tenha acesso aos melhores conteúdos e informações sobre o Enem 2020!

Manual do SISU e PROUNI

Manual do SISU e PROUNI

Receba gratuitamente

Não enviamos spam. Seu e-mail está 100% seguro!

Sobre o Autor

Raphaele Godinho
Raphaele Godinho

Raphaele Godinho: Estudante de Relações Internacionais, coordenação do movimento Resgatando e Valorizando a Mulher, Three Dot Dash Global Teen Leader 2020 by We Are a Family Foundation.