Um pouco sobre a histórica segregação racial nos Estados Unidos

Para compreender como se estabeleceu a segregação racial nos Estados Unidos é necessário entender a sua formação enquanto país. Diferentemente do Brasil que foi uma “colônia de exploração”, os Estados Unidos foram uma “colônia de povoamento” e em ambos os casos, o processo de colonização não foi pacífico uma vez que já havia habitantes nesses territórios, os povos indígenas.

Nos Estados Unidos, os povos nativos resistiram intensamente quando os primeiros colonos europeus chegaram, no século XVI, e isso resultou em diversas guerras pelos três séculos seguintes em decorrência da expansão para o Oeste, vista como o “destino manifesto” americano.

Essa expansão teve início após as Treze Colônias, que haviam sido constituídas na costa Leste quando os europeus chegaram, revoltarem-se contra a Grã-Bretanha e proclamarem a sua independência em 1776. Porém essas colônias tiveram um desenvolvimento diferente entre si, principalmente quando se olha a divisão entre as do Norte e as do Sul, pois enquanto no Norte predominou o modelo de pequena propriedade privada com mão de obra assalariada, propiciando a emergência de indústrias; no Sul a predominância foi de grandes propriedades com monocultura (sistema de plantation, assim como foi no Brasil) e para fazer sua manutenção foi utilizado o trabalho escravo de negros africanos.

As tensões entre o Norte e o Sul foram crescentes e em meados do século XIX os sulistas falavam em secessão (separação) e criação de outro país: os Estados Confederados da América. Assim, durante as eleições de 1860, em que o Norte elegeu Abraham Lincoln como presidente, os sulistas oficializaram a criação de seu país, escrevendo uma nova constituição, elegendo como presidente Jefferson Davis e como capital Montgomery, no Alabama.

Lincoln assumiu em março de 1861 e, não reconhecendo a independência do Sul, iniciou um conflito – a Guerra Civil Americana – em abril de 1861, na tentativa de reincorporar o Sul ao resto dos Estados Unidos. Essa guerra foi uma das mais sangrentas do continente e seu fim se deu com a prisão do presidente Jefferson Davis, em 1864, e a rendição do general Robert E. Lee, em abril de 1865. 

Durante a Guerra Civil, enquanto a unidade nacional era restabelecida, houve o período da “Reconstrução”, no qual Lincoln assinou a libertação de todos os escravos dos estados americanos, em janeiro de 1863, ao aprovar a 13ª Emenda Constitucional. Porém como os brancos do sul não se viam como iguais aos negros libertos, eles não queriam partilhar dos mesmos direitos políticos, assim, para desarticular movimentos racistas que estavam se estabelecendo, o Sul foi militarmente ocupado.

Entre esses movimentos racistas emergentes pós-1865, deve-se citar o Ku Klux Klan do Tennessee, um grupo paramilitar de fanáticos que cometiam diversos crimes contra os negros e que apesar de ter sido reprimido pela Restauração, voltaria depois no século XX.

Figura reproduzida do site: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/civilizacoes/fantasmas-do-odio-a-historia-da-ku-klux-klan.phtml

Já em 1876, com o fim da ocupação militar no Sul, os estados sulistas fazendo uso da condição de “estados federativos independentes dos EUA” promulgaram as Leis Jim Crow, cujo conteúdo segregacionista pode ser resumido na máxima “gota de sangue única”, ou seja, a partir dessa lei não era necessário que alguém fosse visivelmente negro para ser discriminado, bastaria que fosse comprovado que essa pessoa tivesse algum antepassado negro.

Essa regra durou por quase um século e só foi revogada entre as décadas de 1960 e 1970 no Sul dos Estados Unidos. Enquanto ela esteve em vigor uma prática que se tornou comum foi o chamado “passing racial” por meio do qual muitos descendentes de negros, mas de cor branca, falsificaram sua história, mudando seu nome, sua identidade, etc.

Tais leis segregacionistas que envolviam inclusive a proibição do casamento interracial como no estado da Virgínia (lei de 1924) só foram revogadas por causa da eclosão dos movimentos sociais pela igualdade civil das décadas 1950 e 1960, cujo líder mais emblemático foi Martin Luther King Jr. com seus protestos pacíficos que reuniu grandes multidões sob a frase emblemática “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”).

Questão

(ENEM 2012) Nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. 

KING Jr., M. L. Eu tenho um sonho, 28 ago. 1963. Disponível em: www.palmares.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011 (adaptado).

O cenário vivenciado pela população negra, no sul dos Estados Unidos nos anos 1950, conduziu à mobilização social. Nessa época, surgiram reivindicações que tinham como expoente Martin Luther King e objetivavam

a) A conquista de direitos civis para a população negra.

b) O apoio aos atos violentos patrocinados pelos negros em espaço urbano.

c) A supremacia das instituições religiosas em meio à comunidade negra sulista.

d) A incorporação dos negros no mercado de trabalho.

e) A aceitação da cultura negra como representante do modo de vida americano.

A alternativa correta é a letra A.

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Sobre o Autor

Brenda Buzzo
Brenda Buzzo

Estudante de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Possui formação técnica na área de alimentos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus São Roque. Tem experiência em pesquisa na área de sociologia da alimentação e possui interesse nas áreas de pensamento social, estudos de gênero e sociologia política.