Valor de uso, valor de troca e valor simbólico

Em uma sociedade capitalista o valor é uma questão que está sempre em pauta, uma vez que permeia não só o consumo, mas a esfera de trabalho e escolha dos sujeitos, pode-se questionar: de onde vem o valor dos objetos? Será que esses valores são inerentes ou estão localizados no tempo e espaço geográfico?

Diante dessas inquietações pode emergir a questão de justiça, pois é comum indagar-se se determinado produto possui um preço justo, visto que o valor atribuído a ele varia de acordo com cada localidade, com a época e com a relevância social que ele detém naquele momento. Ou seja, o valor de algo não reside em sua natureza, mas nas relações sociais que o circunscrevem, portanto, apresenta variabilidades e um aspecto de inacabamento – pois está em permanente construção.

Expostas tais considerações é possível adentrar na diferenciação entre valor de uso e valor de troca estabelecida pelo filósofo e sociólogo alemão, Karl Marx (1818-1883):

  • Valor de uso:  refere-se à capacidade de satisfazer as necessidades humanos, logo, está relacionado à utilidade do produto ao modo de vida dos sujeitos ali inseridos. Entretanto, ele não está no âmbito do natural, das necessidades físico-biológicas dos seres humanos – ainda que os alimentos possuam valor de uso – seu caráter é posto pelo social, assim, sua utilidade depende tanto de características objetivas, concretas e “naturais”, quanto das práticas humanas, das concepções de necessidades e de como a materialidade da vida se apresenta aos sujeitos. Logo, uma casa possui valor de uso pois há a necessidade de abrigo; determinado alimento possui valor de uso pois se apresenta como uma necessidade naquele contexto (mas em outro pode ser descartado, pois o valor é variável); e muitos outros produtos criados pelo trabalho humano podem adquirir caráter útil e, assim, passarem a expressar um valor de uso. Ademais, como aponta Marx, uma coisa pode possuir valor de uso sem que se torne uma mercadoria:

“Uma coisa pode ser valor de uso, sem ser valor. É o caso, quando sua utilidade para os homens não é mediada pelo trabalho. Assim o ar, o solo virgem, os gramados naturais, as matas selvagens etc. Uma coisa pode ser útil e produto do trabalho humano sem ser mercadoria. Quem por meio de seu produto satisfaz sua própria necessidade, cria valor de uso, mas não mercadoria.” (Karl Marx)

Portanto, para transformar algo em mercadoria é necessário transformar esse valor de uso em valor de uso social, o que ultrapassa a questão individual e alcança a coletividade.

  • Valor de troca: além do valor de uso, os produtos podem possuir também um valor de troca, o qual é pautado na possibilidade de equiparação de um produto a outro, isto é, na possibilidade de trocar determinada quantidade de um produto por uma certa quantidade de outro. Desta forma, a centralidade do uso é sobreposta pelo trabalho humano, compreendido como a fonte de valor de troca. Logo, é a quantidade de trabalho dedicada ao produto que irá definir seu valor de troca, como se pode observar no seguinte exemplo: o que possui mais valor, uma cama confortável ou quilos de carne? Oras, a carne é um alimento e, como tal, necessária à sobrevivência humana; a cama também possui valor de uso – socialmente construído – mas poderia ser substituída por um tapete no chão. Apesar do alimento ser essencial, ele é mais barato que a cama, pois esta dependeu de mais trabalho para ser produzida. Socialmente isso produz uma anulação das diversidades e idiossincrasias dos produtos, inserindo-os dentro de uma lógica de abstração das formas concretas e úteis do trabalho, moldando, assim, um certo trabalho abstrato, que permite essa equiparação.

Figura reproduzida do site: https://outraspalavras.net/sem-categoria/adeus-ao-consumismo/

Com o passar do tempo a sociedade vai se complexificando e surge uma nova forma de atribuição de valor aos produtos, identificada pelo filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007). O qual afirma que para além da utilidade ou do trabalho humano, os símbolos emergem como uma nova maneira de produzir valor, assim, inicia-se uma valorização que reside mais no plano subjetivo do que no material e, como tal, é disseminada e intensificada pelos meios ideológicos de coerção, como a mídia. Sendo assim:

  • Valor simbólico: é um tipo de atribuição de valor mediante a produção de signos e símbolos, ultrapassando, assim, os conceitos de utilidade, função e até mesmo trabalhado, ou seja, a materialidade e os próprios objetos. Com isso, o valor simbólico, localizado propriamente no âmbito ideológico, faz com que se consuma ou adquira não apenas um produto, mas um estilo de vida, uma ideia, que está relacionada também com a ascensão de status social e de pertencimento a uma sociedade capitalista e burguesa marcada por uma supervalorização do consumo. A mídia é a agente por excelência desse processo, uma vez que insere, dissemina e consolida os símbolos. Para compreender a complexidade da questão basta pensar nas grandes marcas de roupas, elas produzem camisetas, calças ou tênis assim como qualquer outra, mas, por conta dos símbolos e das ideias que as circulam, vendem os produtos com valores muito mais altos.

Questão

(ENEM 2014) Para o sociólogo Don Slater, as pessoas compram a versão mais cara de um produto não porque tem maior valor de uso do que a versão mais barata, mas porque significa status e exclusividade; e, claro, esse status provavelmente será indicado pela etiqueta de um designer ou de uma loja de departamentos.

(BITTENCOURT, R. Sedução para o consumo. Revista Filosofia, n. 66, ano VI, dez. 2011)

Os meios de comunicação, utilizados pelas empresas como forma de vender seus produtos, fazem parte do cotidiano social e tem por um de seus objetivos induzir as pessoas a um(a):

 A) vida livre de ideologias.

B) pensamento reflexivo e crítico.

C) consumo desprovido de modismos.

D) atitude consumista massificadora.

E) postura despreocupada com estilos.

A alternativa correta é a letra D.

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