Vícios de Linguagem e a prova do ENEM

Os vícios de linguagem são muito frequentes em língua portuguesa, seja na modalidade escrita ou falada. Eles ocorrem geralmente por falta de atenção, descaso ou por desconhecimento das regras gramaticais. Os especialistas em língua portuguesa definem os vícios de linguagem como palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou dificultam a manifestação do pensamento, causando uma espécie de ruído.

No ENEM é muito importante estar atento para evitar os vícios de linguagem, pois com essa atenção é possível impedir que sua redação seja prejudicada ou mal compreendida e garantir que você não perca pontos por causa de um texto com vícios de linguagem.

Além da redação do ENEM, os vícios de linguagem podem aparecer também como conteúdo nas questões da prova de linguagens, como na prova de 2003:

Questão do Enem

No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete:

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE

A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:

(A) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.

(B) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha.

(C) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.

(D) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase.

(E) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase.

A resposta correta (E) apresenta a resolução de um problema de vício de linguagem, a ambiguidade.

 A ambiguidade, também conhecida como anfibologia, apresenta duplo sentido em uma frase ou oração.

Exemplo: Ana falou com Bia sobre seu novo projeto. (não há como saber se o projeto é da Ana ou da Bia)

Além da ambiguidade, devem ser evitados os seguintes vícios de linguagem no ENEM:

  • Eco: Acúmulo de palavras com a mesma terminação em um período próximo. Lembre-se de que a formação de eco em textos literários (poemas) ou músicas não é considerada como vício de linguagem, pois a repetição sonora é intencional. Como um vício, o eco pode se apresentar da seguinte forma:

Exemplo: A população não tinha a intenção de fazer a manutenção das regras.

  • Cacofonia ou Cacófato: Palavra “desagradável” que se forma a partir da junção de sílabas de outras palavras.

Exemplos: A.  São 24 horas de descanso por cada 12 horas trabalhadas.  (formação da palavra “porcada”)

B. Essas mesmas palavras foram ditas pela boca dela. (formação da palavra “cadela”)

C. Eu vi ela saindo bem cedinho. (formação da palavra “viela”)

  • Queísmo: Repetição exaustiva da palavra “que”.

Exemplo: A reforma agrária, que deveria ter acontecido em 1888, que foi o ano marcado pela abolição da escravatura, não teve nenhum avanço na última década.

O trecho pode ser reformulado sem o uso do “que”:

A reforma agrária deveria ter ocorrido em 1888, ano marcado pela abolição da escravatura, no entanto, não teve nenhum avanço na última década.

  • Pleonasmo vicioso ou redundância: Emprego de palavra ou expressão em que o sentido já esteja subtendido em outro termo. Nesse caso se faz importante lembrar também que existe um uso poético do pleonasmo, como no eco, quando é intencional, por uma questão estilística, geralmente usado para enfatizar uma ideia.

Exemplos: subir pra cima/ entrar pra dentro/ manter o mesmo/ repetir de novo/ anexar junto/ elo de ligação.

  • Barbarismo: desvio da norma culta que se apresenta por meio de erros de pronúncia, prosódia ortografia, formação irregular de palavras. O nome “barbarismo” remete a ideia de subversão de ordem.

Exemplos: rúbrica – rubrica

                   Gratuíto – gratuito

                   cidadãos – cidadões.

  • Neologismo: Criação exagerada de novas palavras, às vezes, desnecessárias por já existirem outras que possuem o significado desejado. O neologismo também pode ser considerado como estilo literário, quando usado de forma poética. Guimarães Rosa é um dos grandes exemplos do uso de neologismo em sua obra literária.

Exemplo: Deleta a mensagem do ouvinte. (Deletar no lugar de apagar).

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Por quê, Porquê, Porque e Por que: aprenda a diferença entre cada um para não errar no Enem!

A língua portuguesa é de fato muito rica e por isso traz um grande número de possibilidades para algumas palavras e isso, às vezes, pode causar dúvidas aos falantes de seu idioma. Uma dessas dúvidas mais comuns está ligada ao uso dos “porquês”. Na fala não há motivo nenhum para preocupação, mas na hora da escrita em norma padrão quase sempre é feita uma consulta para saber a diferença entre um e outro e não fazer feio no texto.
https://infoenem.com.br/por-que-porque-porque-e-por-que-aprenda-a-diferenca-entre-cada-um-para-nao-errar-no-enem/

O que é SiSU?

É o sistema informatizado do MEC por meio do qual instituições públicas de ensino superior (federais e estaduais) oferecem vagas a candidatos participantes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
https://infoenem.com.br/como-funciona-o-sisu/

Manual do SISU e PROUNI

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Sobre o Autor

Adriana da Silva Moreira
Adriana da Silva Moreira

Adriana da Silva Moreira: Mestranda do programa de Letras Clássicas da Universidade São Paulo. Possui graduação em Letras, com habilitação em Português e Grego pela USP (2016). Concluiu duas Iniciações Científicas na área de Historiografia Grega (2013) e (2016) sob orientação do Prof. Dr. Breno Battistin Sebastiani. Tem interesse na área de Língua e Literatura Grega, com ênfase em Historiografia Grega.