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Você tem sangue dourado? Letícia Laudino tem e quase morreu por isso… Parte 1

Tudo bem amigo(a)? Bom contar com sua companhia em mais este texto do InfoEnem, o terceiro da série de textos da biologia. Sugiro a você a releitura atenta dos textos 01 e 02 porque eles nos darão parte do embasamento necessário para compreendermos este texto.

Por questões de organização, dividiremos esse texto em duas partes. Na primeira faremos uma revisão sobre o sistema sanguíneo Rh e a segunda parte será um estudo de caso.

Sistema sanguíneo Rh

O sistema Rh se baseia, a princípio, na presença ou não de uma proteína – o fator Rh ou proteína RhD – que, quando presente, encontra-se no glicocálice (extensão da membrana celular) das hemácias (glóbulos vermelhos ou eritrócitos).

Assim, os indivíduos que apresentam essa proteína são classificados como Rh positivo, enquanto que os indivíduos que não a possuem são denominados Rh negativo.

Do ponto de vista genético, ser Rh positivo significa apresentar um caráter dominante: basta um alelo dominante para que o indivíduo possua o fator-Rh. Fica óbvio então que ser Rh negativo significa, geneticamente falando, ser recessivo para esse sistema sanguíneo.

No que se refere à transfusão sanguínea, aqui se aplica um raciocínio similar ao utilizado para o sistema sanguíneo ABO: o indivíduo “estranha” aquela proteína que ele não “tem”, que ele não “produz”. Dessa forma, pessoas que apresentam sangue Rh positivo são receptores universais e podem receber sangue Rh positivo e negativo.  Já as pessoas que são Rh negativo, só podem receber sangue de indivíduos também Rh negativo: caso ele receba sangue que possua a proteína RhD, ele desenvolverá uma resposta imunitária contra esse sangue, produzindo anticorpos anti-Rh (também chamado anti-D) e causando hemaglutinação (aglutinação do sangue nos vasos sanguíneos), que pode ser fatal.

Acompanhe uma síntese de tudo o que discutimos até aqui no quadro abaixo:

IMPORTANTE: as aglutininas para este sistema só são produzidas após contato do organismo com o antígeno que ele não possui.

Doenças hemolíticas do feto e recém-nascido (DHFRN)

Corresponde ao conjunto de doenças que decorrem da destruição das hemácias do feto e/ou recém-nascido. A DHFRN pode ser dividida em dois grupos:

1)DHFRN imune = envolve a participação de anticorpos;

2)DHFRN não imune = não envolve a participação de anticorpos.

Importante dizer que nosso organismo pode produzir uma diversidade extremamente  alta  de anticorpos, que podem ser agrupados, basicamente, em cinco classes:

Vejamos agora, de maneira mais específica, a DHFRN ou eritroblastose fetal para o sistema Rh. Trata-se de uma incompatibilidade materno-fetal, onde a mãe “estranha” o sangue do filho (a) por causa do fator Rh e passa a fabricar anticorpos contra este fator.

Existe uma situação específica, que leva ao aparecimento dessa doença: se a mãe estranha o sangue do filho(a) por causa do Fator- Rh, isso significa que ela é Rh negativo – a pessoa só estranha aquilo que não “conhece”,  lembra? – enquanto que o feto/recém-nascido deverá ser Rh positivo, para ser “estranhado” pela mãe.

Como a mãe é Rh negativo, podemos deduzir que ela apresenta genótipo rr. Já o filho, para ser Rh positivo, apresenta genótipo R_. Nesse caso em especial, como a mãe dele é rr, ele obrigatoriamente receberá um gene r dela, se tornando, Rr. Mas e o pai dessa criança? Podemos afirmar algo sobre ele? A resposta é sim. Se o filho(a) é Rr e recebeu, com certeza, um alelo r da mãe, podemos afirmar que o alelo R dele veio do pai. Sendo assim, o pai obrigatoriamente terá um alelo R e, consequentemente, será Rh positivo, com genótipo R_, como podemos observar no esquema abaixo.

ÚNICA SITUAÇÃO QUE LEVA A ERITROBLASTOSE FETAL:

Imagine a seguinte situação: uma mulher se encontra grávida pela primeira vez, sendo que ela é Rh negativo e o feto Rh positivo. Durante a gestação ocorrem pequenas hemorragias na placenta, mas que geralmente são incapazes de sensibilizar a mãe, ou seja, incapazes de fazê-la ter uma reação imunitária primária contra o fator-Rh.

Importante lembrar que a resposta primária se dá em um primeiro contato com o antígeno. Para que ela ocorra é necessária uma grande quantidade desse antígeno, o que desencadeará uma resposta lenta e “precária”, no sentido de que envolve baixa produção de anticorpos. Ocorre ainda nesse tipo de resposta a formação de um tipo de célula muito especial, que potencializará respostas futuras contra esse antígeno: as células de memória.

Perceba então que os pequenos rompimentos de vasos da placenta durante a gestação liberam pouco sangue fetal no corpo da mãe, de maneira que a quantidade de fator-rh é insuficiente para desencadear uma resposta primária. Porém, durante o trabalho de parto ocorrem hemorragias mais significativas, o que acaba por liberar no organismo materno uma quantidade de sangue – e consequentemente de fator-rh – capaz de promover a resposta imunitária primária.

Entretanto, como se trata de uma resposta lenta – neste caso leva três dias para iniciar! – esse primeiro filho tende a escapar ileso, sem sofrer os efeitos da DHFRN.

Mas agora surgiu uma situação preocupante: uma próxima gestação desencadeará a resposta imunitária secundária, que pode causar sérios problemas ao feto/recém-nascido.

A resposta imunitária secundária conta com a participação efetiva de células de memória – algumas produzidas durante a resposta primária, outras provenientes da multiplicação dessas células durante a própria resposta secundária – o que torna a resposta mais rápida e eficiente. Graças a essas células, podemos dizer que a mãe é sensível ao fator-rh, o que significa que ela é capaz de reconhecer esse antígeno mesmo quando ele está em baixa quantidade em seu corpo e responder a esse estímulo com uma maior produção de anticorpos – quanto maior a quantidade de células de memória, maior o número de Linfócitos B – células produtoras de anticorpos – estimulados, e quanto mais linfócitos B estimulados, maior a produção de anticorpos.

Conclusão: a partir da 1ª gestação – que desencadeou a resposta primária – qualquer gestação que repita a situação-problema, com a mãe sendo Rh negativo gestando uma criança Rh positivo, desencadeará a resposta secundária, que nesse caso corresponde à DHFRN. Nessa doença é esperado que o feto/recém-nascido desenvolva anemia – devido à destruição das hemácias, icterícia (pele e olhos amarelados, causada pelo excesso de bilirrubina no sangue, provenientes da degradação da hemoglobina durante a destruição das hemácias, e hidrocefalia (acúmulo anormal do líquido cefalorraquidiano no interior do crânio, que pode comprometer o desenvolvimento do sistema nervoso).

Outra questão que dificulta a manifestação da doença em um primeiro contato é que na resposta primária ocorre a produção de anticorpos do tipo IgM, que não atravessam a barreira placentária. Somente em respostas secundárias é que há a produção de IgG, Única classe de anticorpos capaz de atravessar a placenta e atacar o feto ainda dentro do útero.

Observações importantes

  • Se a mãe tiver recebido uma doação de sangue Rh+ antes da primeira gestação, o primeiro filho já poderá apresentar a DHRN.
  • A incidência de eritroblastose do sistema Rh diminuiu consideravelmente desde o desenvolvimento da imunoglobulina Rhesus (RhIg) contendo anticorpos anti-D. Ela deve ser administrada na mãe durante a 28ª semana de gestação e dentro de 72 horas após parto de mães Rh negativas e filho(a) Rh positivo. A idéia é destruir o sangue Rh positivo deixado na mãe antes que a mãe se torne sensível e capaz de fabricar o seu próprio anti-rh. Essa prática deve ser repetida a cada nova gravidez onde o filho seja Rh positivo.
  • O RhIg também deve ser utilizado em casos de hemorragia feto-materna, geralmente relacionada com quadros de placenta abrupta, aborto espontâneo ou provocado, gravidez ectópica, traumatismo abdominal, amniocentese e cordocentese.
  • Quando uma criança nasce com a DHRN, o seu sangue deve ser trocado gradativamente por Rh ainda dentro do útero (transfusão intra-uterina) para eliminar os anticorpos anti-rh recebidos da mãe. Este processo é conhecido como transfusão substitutiva.

Questão desafio – Enem 2017

Uma mulher deu à luz o seu primeiro filho e, após o parto, os médicos testaram o sangue da criança para a determinação de seu grupo sanguíneo. O sangue da criança era do tipo O+.

Imediatamente, a equipe médica aplicou na mãe uma solução contendo anticorpos anti-Rh, uma vez que ela tinha o tipo sanguíneo O.

Qual a função dessa solução de anticorpos?

A) Modificar o fator Rh do próximo filho.

B) Destruir as células sanguíneas do bebê.

C) Formar uma memória imunológica na mãe.

D) Neutralizar os anticorpos produzidos pela mãe.

E) Promover a alteração do tipo sanguíneo materno.

Alternativa correta: B

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