Entendendo a TRI (Teoria da Resposta ao Item)

Utilizada para avaliar o desempenho dos alunos no Enem, a TRI ganhou notoriedade na mídia nos últimos dias, após a confirmação do vazamento de algumas questões do Exame.

Isso se deu a partir da polêmica decisão tomada na sexta-feira passada (04/11) pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª região Paulo Roberto de Oliveira Lima ao anular 13 questões do Enem 2011 apenas para os 639 alunos do Colégio Christus de Fortaleza, que foi, em parte, justificada por tal teoria.

Com o aumento do número de questões canceladas passando para 14 nesta segunda-feira (07/11), conforme decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a TRI voltou a ser comentada, uma vez que os alunos do Christus terão 166 questões corrigidas, e não 180 como os outros 4 milhões de alunos que realizaram o Enem neste ano.

Mas aí surge a pergunta. Afinal, no que consiste a TRI?

Como o próprio nome diz, a essência da teoria é o item, ou seja, cada questão. Levando em conta as habilidades exigidas do aluno e também o nível de dificuldade de cada teste, a TRI prediz, através de funções e modelos matemáticos, a probabilidade do candidato responder acertadamente a determinada questão.

Para a correção das provas e cálculo da proficiência ou nota dos candidatos do Enem, o Inep, órgão responsável pela organização do exame, utiliza o modelo de TRI matemático logístico criado por Birbaum (1968), que avalia três parâmetros para então chegar à nota final. São eles:

a) poder de discriminação, que diz respeito às habilidades dos alunos.

b) o grau de dificuldade de cada questão.

c) a probabilidade de acerto ao acaso, o popular “chute”.

A principal vantagem desse modelo é que ele também leva em conta o padrão de respostas de cada aluno para o cálculo da proficiência, e não apenas a quantidade de acertos. Dessa forma, dois candidatos que obtiveram a mesma quantidade de acertos, não necessariamente terão a mesma nota final. Com isso, esse modelo garante que a coerência dos alunos seja avaliada, o que é fundamental numa prova tão interdisciplinar e contextualizada como é o Enem.

Dessa maneira, esse modelo de correção e atribuição de notas utilizado pelo Inep permite que a proficiência dos alunos do Colégio Christus seja recalculada de forma a atingir um valor máximo de 1000 pontos, mesmo com um número inferior de questões, permitindo assim a comparabilidade com a nota dos outros 4 milhões de alunos.

O Portal do MEC (Ministério da Educação) divulgou em nota que a solução dada para o caso é, tecnicamente, a mais adequada, pois, garante a maior isonomia para os participantes do Enem.

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