Guia de Profissão 2013: Relações Internacionais (RI)

O bacharel em relações internacionais (RI) estuda as relações entre Estados e instituições em todo ambiente internacional. Sendo assim, atua na formulação, no planejamento, na gestão e na avaliação da cooperação entre nações e estados. Para isso, realiza pesquisas e relatórios sobre conjuntura internacional para órgãos públicos e ONGs. Também executa e avalia programas e projetos de natureza internacional. Quando o assunto é política externa, uma das principais funções desse profissional é referente a mediação e resolução de conflitos entre países e empresas (multinacionais).

Dentre outras atividades, esse bacharel, através de análise do cenário mundial e investigação de mercados, pode avaliar as possibilidades de negócios e aconselhar diversos investimentos no exterior.

Outra possibilidade é seguir na área acadêmica, lecionando e realizando pesquisas dentro da universidade.

 

Média Salarial inicial
Segundo o prof. Matheus Souza, da Unijorge, o salário médio inicial é de de R$ 1.500,00 a R$ 1.800,00.

 

Onde estão os melhores cursos?
De acordo com o Guia dos Estudantes 2012, estes são os 13 melhores cursos de relações internacionais do Brasil.

* Lista organizada por estado e em ordem alfabética

 

Entrevista
Para saber mais sobre as oportunidades dessa carreira, convidamos para um bate papo a profissional de RI Marília de Camargo, Graduada em 2010 pela Facamp (Faculdades de Campinas) e que atualmente trabalha como especialista de projetos na Ambev.

 

1- Porque escolheu o curso de Relações Internacionais?
Após um ano de intercâmbio cultural feito através do Rotary Club, nos EUA, criei o hábito de ler New York Times e The Guardian, pois na época queria manter meu inglês. Sendo assim, eu sempre lia a parte de politica, economia e mundo. Passei a ficar fissurada por uma columa do NYT escrita por Paul Krugman. Era demais! Todas as análises que o mesmo fazia e quanto ele sabia de tudo o que estava acontecendo no mundo! Enfim, ao voltar do intercâmbio não sabia o que prestar de vestibular, pensei muito em direito, mas não era a minha cara, ciências sociais achava radical demais, sendo assim, fui em busca de algo que me desse a capacidade de entender todo o cenário internacional, que eu fosse capaz de entender tudo que Krugman descrevia. Um belo dia lendo a Folha de São Paulo, vi uma reportagem a respeito da “profissão sensação – RI”, ao ler vi que era aquilo que eu estava a procura! Comecei a correr atrás para entender se era isto mesmo que eu queria, conversei com pessoas que estavam cursando e no fim achei exatamente o que procurava!

2 – O que achou do curso? Cite as principais dificuldades encontradas ao longo do mesmo.
Analisando friamente o curso tem uma carga teórica muito extensa e pouquíssima parte prática. Na verdade é dinâmico, pois a principal fonte de estudo é o cenário internacional politico, econômico e social, dado que este não é estático, ou seja, apesar de entendermos e analisarmos as possíveis causas e consequências da primeira e segunda guerra mundial, devemos fazer o mesmo com a conjuntura atual. Ou seja, acompanhar o cenário politico, econômico e social internacional, parar entender se os movimentos e fenômenos que estão ocorrendo são recorrentes de algo do passado ou se são novas frentes; é ter capacidade para não só entender, mas saber relacionar o passado, presente e prever cenários futuros.

Muitos ficam apreensivos e ansiosos para colocar “a mão na massa” e começar um estágio o qual, no imaginário, terão a oportunidade de projetar e discutir cenários em relação à certas tomadas de decisões que empresas ou governos devem fazer. Cuidado! Estágio na área é escasso e grande parte envolve muito mais demandas relacionadas à comércio exterior entre outras, não pensem que de cara saíram negociando acordo com governos ou ONGs.

Deste modo, um dos principais desafios é vencer a ansiedade e ter calma após a graduação, reforço entender que atuar na área as vezes não corresponde às expectativas. Até mesmo o curso acaba decepcionando algumas pessoas, por sentirem falta de uma possível parte prática.

Caso a pessoa não esteja habituada a longas leituras, já adianto que de cara terá problemas ao longo do curso, assim como, se a não tiver o mínimo interesse por economia e história, também se decepcionará.

3 – Como é exercer sua profissão? Conte-nos um pouco sobre sua rotina.
Atualmente cuido de projetos nas áreas comerciais e de responsabilidade social. Desta maneira, meu trabalho na Ambev envolve o relacionamento com associações, entidades de classe e departamentos públicos. a indústria cervejeira, por exemplo, atualmente tem grande preocupação relacionada à frente de segurança viária, deste modo, sempre incentivamos discussões com os demais setores, afim de juntos criarmos alternativas e soluções para atuarmos na prevenção de acidentes envolvendo o uso indevido de álcool e direção.

Posso dizer que minha rotina envolve entender os possíveis problemas e/ou oportunidades, compreender o cenário a partir da análise do que o poder público já faz, administra e reage, quais são as possíveis boas práticas dentro e fora da cidade de São Paulo, como a concorrência se manifesta perante a tal questão e assim desenvolver projetos e ou programas partindo apenas da empresa ou unindo-se a outros setores e frentes que já atuam na causa / oportunidade.Ou seja, envolve reuniões, planejamento e pesquisas.

Também realizo planejamento de custos, cronograma para levar a empreitada adiante, manutenção, determino objetivos, metas e em quanto tempo tal projeto será impactante e relevante para a sociedade. Penso que a rotina de um internacionalista que atue no primeiro e ou terceiro setor seja um pouco diferente quando relacionado às demandas e desafios, contudo, ambos também provavelmente atuam no meio do campo de todos os players de cada setor.

4- No atual cenário econômico brasileiro, qual a sua opinião em relação ao mercado de trabalho e as oportunidades para os profissionais de RI?
Para ser sincera sempre fui muito pessimista em relação às oportunidades na área dentro do mercado de trabalho brasileiro. Contudo, creio que todos devemos aproveitar a onda dos grandes eventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas – para mostrar para o segundo setor o quão válido é contar com um profissional com mindset (mentalidade) diferente, uma vez que a nossa visão de mundo é uma excelente ferramenta para mostrar que não basta a empresa querer produzir e vender, a mesma deve entender o mercado no qual pretende atuar. Sendo assim, faz-se necessário respeitar aspectos religiosos, culturais, econômicos e sociais.

Por exemplo, quando a Ambev iniciou a comercialização da cerveja Brahma em países da América Central, a mesma foi lançada com outro nome – Brahva – justamente por questões culturais, ou seja, para uma empresa ser bem sucedida tem que conhecer não só apenas os hábitos dos clientes, mas o que os mesmos prezam em outras esferas, para assim, não só conquistá-los, mas principalmente respeitá-los! Deste modo, é importante contar com o auxílio de um internacionalista para aprimorar atuação, produtos e serviços, ou seja, será que todas as empresas estão prontas para lidar com consumidores europeus, americanos e asiáticos no período dos grandes eventos? Muitos pensam que para ser internacionalista os desafios e as demandas encontram-se apenas fora do país de origem, contudo, lembrem-se que hoje o mundo está de olho no Brasil e em como iremos receber estes dois grandes eventos.

Ademais, devemos pensar na globalização a partir do momento que um empresa quer atuar em outras fronteiras e ou ampliar suas plantas para outros países. Não basta apenas instalar-se, sem antes entender o cenário político, econômico e social do mesmo. Faz-se sim necessário desenhar cenários, entender possíveis restrições governamentais ou até mesmo restrições culturais, ou seja, reforço o fato de que um internacionalista tem ampla visão de mundo e um mindset necessário para auxiliar empresas nestas frentes!

5 – Quais as principais características que você acredita serem necessárias para quem escolher RI?
Certamente a pessoa que optar por estudar relações internacionais deve estar ciente que o curso tem uma carga pesada de leitura, contudo, não basta apenas ler o conteúdo programado, tem que ter capacidade para entender a conjuntura atual e como as teorias se encaixam na mesma. Além disso, é fundamental ter apreço por questões de economia, política e sociedade.

Creio que a pessoa tem que ter consciência de que ingressar no mercado de trabalho é difícil, mas não existem barreiras e/ou restrições devido a formação. Por fim, acima de tudo a pessoa deve estar segura da escolha, entender em qual área deseja atuar no futuro e quais as possibilidades.

6- Gostaríamos que desse dicas, conselhos ou qualquer outro tipo de informação que ajude nossos leitores a decidir seguir (ou não) a sua profissão. Fique a vontade!
Muitos jovens encaram que, ao cursar Relações Internacionais, irão mudar e salvar o mundo, combater a fome, acabar com guerras mundiais ou entrar para história como uma personalidade que fez algo de notável no cenário internacional. Entretanto, tais desejos devem ser provenientes de uma vontade maior, uma mudança maior, ou seja, que a mudança parta da pessoa e dos seus respectivos atos, tais como, se envolver com trabalhos comunitários, ser ético e prezar pela mesma, assim como entender que às vezes salvar o mundo significa mudar a realidade de um bairro, comunidade e ou cidade. Enfim, o que gostaria de deixar claro é: RI não te prepara e não te capacita para tais desafios, quem realmente quer mudar e salvar o mundo, combater a miséria e as injustiças sociais, já nasce com tal desejo ou o adquire por acreditar em um fim; ou seja, qualquer pessoa com grandes e ou pequenos atos pode sim fazer a diferença independentemente da sua formação acadêmica!

Dito isto, RI é sim uma carreira inspiradora para atuar no cenário internacional, seja no âmbito do primeiro, segundo ou terceiro setores. Ademais, creio que se a intenção é seguir carreira diplomática, a formação teórica adquirida ao longo do curso é fundamental para o preparo para o exame do Rio Branco.

Creio que antes de se inscrever é essencial entender o que você espera do futuro profissional e pessoal, pois não adianta ter o desejo de seguir carreira diplomática e não ter disponibilidade para fazer o curso preparatório em Brasilia, assim como, pensar que o curso irá capacitá-lo para trabalhar em certas áreas que demandam algum tipo de conhecimento técnico específico, visto que o curso é abrangente.

Além disso, penso que é fundamental analisar a instituição a ser escolhida, visto que em algumas delas o perfil do curso será mais voltado para carreira diplomática, acadêmica e outros para o segundo setor, portanto, é importante que a instituição ofereça o minimo para te preparar para os desafios desejados.

Por fim, creio que seja válido procurar bater um papo com um profissional formado que atue na área e outro que não, para assim ficar claro quais as chances e dificuldades que terá de ambos os modos.

Bela entrevista não? Calma que ainda tem mais! Veja os sites que selecionamos para você se inteirar ainda mais sobre a profissão de internacionalista. Boa leitura e até a próxima sexta-feira, com mais uma matéria do nosso “Guia de Profissão 2013”!

http://www.mundori.com/home/index.asp

http://www.feneri.org.br/

http://www.cebri.org/

http://relacoesinternacionais.com.br/

http://ibri-rbpi.org/

http://internacionalizese.blogspot.com.br/

http://blog.marcelvanhattem.com/

 


* Nossos agradecimentos a profissional de RI Marília de Camargo, que nos concedeu esta bela entrevista e esclareceu mais sobre sua profissão aos milhares de leitores do infoEnem.

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