De Olympe à Robespierre: os rostos da Revolução Francesa

Quando se fala em Revolução Francesa, qual imagem vem a sua mente? Muito provavelmente, o quadro “A Liberdade Guiando o Povo” de Eugène Delacroix.

E quando pensamos em Revolução Francesa, também somos tentados a pensar nos lemas de tal acontecimento histórico: liberdade, igualdade e fraternidade. Dessa forma, muitas pessoas imaginam que a Revolução Francesa tinha, de fato, tendências igualitárias; mas não foi bem assim que tudo se desenrolou…a igualdade, a fraternidade e a liberdade só foram evocadas para a população masculina da França.

Para entendermos o período da Revolução Francesa, podemos juntos voltar em um artigo de 2015 do InfoEnem. Mas esse artigo aqui, em especial, tem como objetivo apresentar alguns rostos muito importantes do período, um que é mais frequentemente abordado, o Maximilien de Robespierre, e outro que é muitas vezes omitido: a Olympe de Gouges.

Maximilien de Robespierre

Robespierre nasceu em 1758, em uma família de pequena nobreza, e se formou em direito na capital Paris. Ele teve uma carreira, até os 30 anos, advogando em prol do povo e agindo contra os privilégios nobres; após esse período, começou a sua carreira na política. Bem como dito no artigo indicado acima, em 1787 a Assembleia dos Estados Gerais foi convocada, com representação do “Terceiro Estado”; Robespierre participou como deputado da Assembleia, bem como do que viria a ser a Assembleia Nacional Constituinte. É importante salientar que ele teve ampla influência das ideias do filósofo Rousseau – como sufrágio universal, eleição direta, educação gratuita obrigatória e afins.  

Dentro da representação do Terceiro Estado, existia ainda a divisão em dois sub grupos: os jacobinos e os girondinos. Os jacobinos eram pequenos burgueses, geralmente em situação (ou de origem) rural e pobre, e detentores de um pensamento mais radical – como a ideia de extermínio dos nobres. O outro grupo são os girondinos, de visão política mais moderada e composto por burgueses da província. Inclusive, uma das origens das divisões de “esquerda” e “direita” política, está justamente nesses dois grupos: os jacobinos se localizavam à esquerda da assembleia, e os girondinos à direita. Robespierre fazia parte do grupo dos jacobinos. Assim como o artigo indicado explica, Robespierre, em determinado momento da história sobe até o comando do governo francês e instaura o momento conhecido como “Terror”. Robespierre acaba guilhotinado por conta do regime que instaurou, e depois disso tudo, a Era Napoleônica se tornava cada vez mais próxima.

Olympe de Gouges

Outra figura muito importante para o período foi Olympe de Gouges. A dramaturga, abolicionista e ativista política nasceu em 1748, e acompanhou de perto a Revolução Francesa. Vinda de uma família de pequena-burguesia, Olympe começou escrever apenas em 1784, após a morte de seu marido e também de seu pai biológico. Ela se apaixonou pela revolução assim que a mesma teve início, mas logo percebeu que o princípio de igualdade, como destacado anteriormente neste artigo, não era para todos os franceses. Sendo assim, em 1791 ela escreveu a sua obra de maior prestígio, a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadãuma contraproposta à  Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Além disso, Olympe era uma mulher fiél aos seus princípios: mesmo sendo contra o governo de Luis XVI, condenou fortemente que o antigo rei tenha sido morto na guilhotina, pois a mesma era contrária a pena de morte.

As decepções de Olympe com a revolução começaram a se acumular cada vez mais, o que fez com que ela escrevesse seu ponto de vista com maior frequência. Em 1793, os girondinos foram enviados à guilhotina pelos jacobinos, e nesse mesmo momento, Olympe escreveu a peça “Les trois urnes, ou le salut de la Patrie” (que falava sobre como um plebiscito deveria ocorrer para que o povo pudesse escolher o modo de governo a ser aplicado na França), e por isso foi presa. O regime imposto guilhotinou uma rainha, exilou uma liderança feminista (Sophie de Condorcet) e por fim, em novembro de 1793, também executou Olympe – a ideia de igualdade era tolerada pelos revolucionários, desde que ela não se aplicasse às mulheres. Olympe foi uma líder muito à frente do seu tempo, mas ninguém nunca te falou sobre ela antes, não é? Para conhecer outras histórias de mulheres como ela acesse a página do Resgatando a Mulher!

Questão

Em nosso país queremos substituir o egoísmo pela moral, a honra pela probidade, os usos pelos princípios, as conveniências pelos deveres, a tirania da moda pelo império da razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo ao vício, a insolência pelo orgulho, a vaidade pela grandeza de alma, o amor ao dinheiro pelo amor à glória, a boa companhia pelas boas pessoas, a intriga pelo mérito, o espirituoso pelo gênio, o brilho pela verdade, o tédio da volúpia pelo encanto da felicidade, a mesquinharia dos grandes pela grandeza do homem.

(HUNT, L. Revolução Francesa e Vida Privada. In: PERROT, M. (Org.) História da Vida Privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. São Paulo: Companhia das Letras, 1991 (adaptado))

O discurso de Robespierre, de 5 de fevereiro de 1794, do qual o trecho transcrito é parte, relaciona-se a qual dos grupos político-sociais envolvidos na Revolução Francesa?

a) À alta burguesia, que desejava participar do poder legislativo francês como força política dominante.

b) Ao clero francês, que desejava justiça social e era ligado à alta burguesia.

c) A militares oriundos da pequena e média burguesia, que derrotaram as potências rivais e queriam reorganizar a França internamente.

d) À nobreza esclarecida, que, em função do seu contato, com os intelectuais iluministas, desejava extinguir o absolutismo francês.

e) Aos representantes da pequena e média burguesia e das camadas populares, que desejavam justiça social e direitos políticos.

Alternativa correta: E

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