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Arcadismo no Enem

O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo ou Setecentismo, é o principal movimento literário do século XVIII. No Brasil suas manifestações ocorreram entre 1756 e 1825 (por isso uma das suas denominações ser “setecentismo”, em referência aos anos de 1700). O nome Arcadismo é uma referência a uma região do Peloponeso habitada por pastores, na Grécia, chamada de Arcádia, onde os poetas supostamente encontravam inspiração.

Fonte: Amore e Psiche. Canova (1788-1793) Musée du Louvre – Paris

Os poetas árcades encontraram na Arte Poética de Aristóteles o modelo de arte da qual desejam produzir: clareza, objetividade, harmonia, coesão, os chamados conjunto de valores clássicos, por isso esse estilo literário também é conhecido como Neoclassicismo, pois encontra nos valores clássicos uma referência para sua arte.

Apesar do ENEM não cobrar especificamente as escolas literárias no geral, a prova usa com frequência textos da literatura como poemas, crônicas, sermões, contos e romances de diversos períodos literários para solicitar determinados conhecimentos, desde interpretação até reconhecimentos de técnicas usadas na composição dos textos, portanto, é importante não deixar de lado esses estudos.

Os estudos de literatura, seja por prazer ou para aplicação em uma avaliação como o ENEM, trazem também uma gama de conhecimentos atrelados, já que é indispensável conhecer, por exemplo, o contexto histórico e econômico de uma determinada produção.

Contexto histórico

 No caso do Arcadismo, é preciso saber que ele acontece em meio à ascensão da burguesia europeia e à decadência da nobreza. O período em que o Arcadismo se desenvolve é conhecido na História como “Século das luzes”, XVIII, devido a grandes contribuições intelectuais para a humanidade.

 O Iluminismo, corrente de pensamento do período, acreditava que a razão era a fonte de todo conhecimento válido, também por esse motivo a Igreja Católica perde muito do seu espaço, pois a dicotomia Fé versus Razão, estava perdendo força.

No Brasil, o Arcadismo acontece em um contexto difícil de conflitos e repressão por parte de Portugal, o marco inicial é o ano de 1768, com a publicação de “Obras” de Claudio Manuel da Costa. O eixo econômico havia sido deslocado da Bahia para Minas Gerais, em virtude da descoberta do ouro e minerais preciosos.

O Brasil vivia um momento de tensão pela expectativa de independência, já ocorrida em outras colônias na América, em Minas Gerais surgiu um movimento de independência que foi duramente reprimido pela coroa portuguesa, a Inconfidência Mineira, desse movimento participaram a maioria dos poetas árcades brasileiros.

Por esse motivo, no Brasil, o arcadismo além das características clássicas, como clareza, harmonia, objetividade, linearidade, ganhou também uma consciência política. Desta maneira, não só os poemas com temática tranquila e campestre formam a produção literária árcade brasileira, mas também textos que atacavam os déspotas governantes e seus abusos no Brasil.

Arcadismo em Portugal

Em Portugal o estilo literário ganhou destaque com  Manuel Maria Barbosa Du Bocage (1765 – 1805). Ele é considerado um dos maiores autores portugueses, junto de Camões e Antero de Quental pela elaboração de poemas em que a referência ao bucolismo árcade é evidente. Bocage também é considerado como um pré-romântico por seus poemas que carregavam uma forte sensibilidade lírica e expressão satírica.

Características do Arcadismo

O desequilíbrio causado no Barroco deu lugar à razão e à clareza.  Os excessos formais foram criticados, considerado então como um rebuscamento de “mau gosto”. Assim, como a base do pensamento neoclássico eram o antropocentrismo, o materialismo e a razão, os poemas buscavam transmitir impessoalidade e evitavam o fluxo desenfreado de emoções.

Além disso, alguns conceitos latinos foram largamente usados no Arcadismo. Alguns deles são:

  • Fugere urbem: Fugir da cidade, os autores adotaram pseudônimos de pastores inspirados na Arcádia grega, o cenário campestre forma o pano de fundo da paisagem, com foco para o bucolismo.
  • Inutilia truncat: Corta o inútil, veio como reação aos excessos do Barroco, buscava a simplicidade e a ordem direta nas frases.
  • Carpe diem: Colha o dia (aproveite o dia), diferente do Barroco, ao poetas árcades não usam o conceito como fugacidade, pelo fim rápido da vida, mas por serem materialistas e racionais, então devem aproveitar porque vale a pena.
  • Locus amoenus: Lugar Ameno, a natureza representava um lugar aprazível, de equilíbrio e paz.
  • Aurea mediocritas: O termo traz a ideia de “aurea mediana”, com um equilíbrio, já que os poetas pregavam um ideal de vida simples, sem pobreza, nem riqueza.

Autores do Arcadismo no Brasil

  • Tomás Antônio Gonzaga (1744 – 1810). Obras: Marília de Dirceu e Cartas Chilenas.
  • Claudio Manuel da Costa (1729 – 1789). Obras: Obras poéticas e Vila Rica.
  • Basílio da Gama (1740 – 1795). Obra: O Uraguai.
  • Santa Rita Durão (1722 – 1784). Obra: Caramuru.

Manual do SISU e PROUNI

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Sobre o Autor

Adriana da Silva Moreira
Adriana da Silva Moreira

Adriana da Silva Moreira: Mestranda do programa de Letras Clássicas da Universidade São Paulo. Possui graduação em Letras, com habilitação em Português e Grego pela USP (2016). Concluiu duas Iniciações Científicas na área de Historiografia Grega (2013) e (2016) sob orientação do Prof. Dr. Breno Battistin Sebastiani. Tem interesse na área de Língua e Literatura Grega, com ênfase em Historiografia Grega.