Empirismo, John Locke e David Hume

Durante o século XVII, iniciou-se na Inglaterra profundos questionamentos acerca do racionalismo de Descartes. A partir desse questionamento surge uma nova tradição filosófica: o empirismo. Utilizado pioneiramente pela Escola Empírica, composta por praticantes de medicina na Grécia antiga, o termo “empirismo” é derivado da palavra grega empeiría, cujo significado é o conhecimento ou a habilidade obtida através da prática.

A oposição entre o empirismo e o racionalismo retoma questões oriundas da contraposição das teorias do conhecimento de Platão e Aristóteles. O empirismo, assim como a teoria aristotélica, é fundamentado no princípio de que todas as ideias possuem origem na experiência sensível. Sendo assim, o conhecimento verdadeiro, almejado pela Filosofia, deve se pautar no conhecimento natural, advindo da natureza – por exemplo, obtido através da Física experimental – e não em um modelo matemático abstrato e dedutivo, como propôs Descartes.

A presença e valorização na Física no âmbito filosófico é um reflexo da forte impressão causada pelas descobertas de Isaac Newton e de outros estudiosos, que ampliaram as formas de percepção da natureza e suscitaram maiores questionamentos acerca da origem do conhecimento.

Dentre os principais teóricos empiristas, deve-se ter mais atenção com John Locke e David Hume, dois filósofos britânicos que aparecem com recorrência nos vestibulares.

Fonte: http://oollodekepler.blogspot.com/2018/06/os-sentidos.html

John Locke (1632-1704)

Em sua obra “Ensaio acerca do entendimento humano, Locke rejeita o pensamento racionalista cartesiano e defende que é através dos sentidos que se obtém o conhecimento, pois, para ele, não existe uma razão inata – isto é, existente desde o nascimento. Todas as ideias derivam da reflexão sobre o que foi apreendido pelos sentidos, portanto, é a experiência externa que torna possível a experiência interna. Em suma, o filósofo iluminista afirma que a experiência e a reflexão são as fontes das ideias. Nas palavras do próprio autor:

“Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer ideias; como ela será suprida? […] De onde obtém todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra: da experiência. Todo nosso conhecimento está nela fundado, e da experiência deriva fundamentalmente o próprio conhecimento.”

LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano

Fonte: http://uabivfilosofando.blogspot.com/2016/10/empirismo.html

David Hume (1711-1776)

O pensamento de Hume é marcado por um significativo ceticismo e pela constatação de que aquilo que se apresenta ao conhecimento é decorrente de impressões, obtidas pelos sentidos, e da articulação de ideias, compreendidas como representações da memória e da imaginação que, na realidade, são cópias das impressões derivadas da experiência. Os fatos percebidos pelos sentidos são concretos, portanto, não necessitam de demonstração. Para o filósofo, não é possível que um conhecimento não possua bases concretas, pois até as próprias palavras só têm significados quando são usadas para designar algo que possa ser percebido.

Ademais, Hume tece críticas às relações de causa e consequência identificadas tanto na experimentação científica quanto na argumentação filosófica, pois, para ele, a causalidade não possui fundamentação suficiente. Na verdade, é uma crença originária de um hábito, pois, se algo acontece e logo após outro fenômeno ocorre, imagina-se que ambos possuem uma relação de causalidade, assim, toda vez que o primeiro fato acontecer, espera-se que o outro se repita. Com isso, adquire-se o hábito de esperar essa repetição de maneira automática, sem uma reflexão ou comprovação acerca do assunto.

A partir disso, Hume conclui que as únicas certezas que a Filosofia proporciona estão localizadas no campo da moral, caracterizada, por ele, como um conjunto de virtudes aprovadas pela sociedade de acordo com sua utilidade. Um exemplo disso é a propriedade privada, pois não existem fundamentos lógicos para sua existência, mas o simples reconhecimento de que ela poderia ser útil aos indivíduos, faz com que ela seja aprovada.

Questão – Enem 2018

Quando analisamos nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos e sublimes que sejam, sempre descobrimos que se resolvem em ideias simples que são cópias de uma sensação ou sentimento anterior. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram, a um exame mais atento, ser derivadas dela.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

Depreende-se deste excerto da obra de Hume que o conhecimento tem a sua gênese na

a) Convicção inata.

b) Dimensão apriorística.

c) Elaboração do intelecto. 

d) Percepção dos sentidos. 

e) Realidade transcendental.

A alternativa correta é a letra D.

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