O grande evento da Ilha de Krakatau e a sucessão ecológica

A sucessão ecológica é na maioria das vezes um processo lento, que ocorre ao longo de décadas e até mesmo milhares de anos, e tem início quando em determinado local ocorre uma perturbação. Este processo envolve alterações significativas em uma comunidade, fazendo com que diferentes populações comecem a se estabelecer no local, formando assim uma nova comunidade até que ela se torne estável, sendo denominada comunidade clímax. Para chegar a uma comunidade clímax, são necessários vários estágios divididos em dois grupos, sendo um o estágio ecese ou comunidade pioneira e o outro o estágio seral ou sere, como as comunidades intermediárias.

Geralmente a sucessão ecológica inicia-se em lugares com condições difíceis e quase hostis para a vida, por exemplo, no deserto, onde as temperaturas são extremas, a disponibilidade de água é escassa, quase não há umidade e não contém nutrientes suficientes para que a maioria dos seres vivos sobreviva, porém, algumas espécies são capazes de sobreviver nessas condições, como alguns microrganismos, artrópodes e algumas espécies de plantas. Quando indivíduos dessas espécies, que são capazes de sobreviver neste ambiente escasso, se estabelecem naquele local, eles mudam o microclima e o ambiente de maneira geral, podendo haver mudanças no substrato, possibilitando que outras espécies aos poucos se estabeleçam, iniciando-se assim a sucessão primária. Esses indivíduos são chamados de organismos pioneiros ou espécies pioneiras.

Para ser considerada uma sucessão primária é necessário que o substrato (parte do biótopo situada em uma superfície que tem contato com os seres vivos, formada por fatores bióticos e abióticos) nunca tenha sido habitado, por exemplo a superfície de uma rocha, ou a formação de um novo substrato. A sucessão primária caracteriza-se por ser mais lenta, pois, como o substrato nunca foi habitado, é necessário que este seja trabalhado por todos os organismos, tanto do estágio ecese quanto do estágio seral, para que o solo ofereça condições de vida para outros organismos.

Sucessão primária. Fonte: https://maestrovirtuale.com/sucessao-ecologica-tipos-estudos-e-exemplos/

Um dos locais mais estudados para compreender a sucessão ecológica é a ilha de Krakatau (podendo ser encontrada como Krakatoa em algumas traduções), onde em 1883, a explosão do vulcão krakatau foi tão violenta que grande parte da ilha desapareceu. Essa explosão formou um tsunami tão grande e poderoso que matou cerca de 36.000 pessoas e cobriu a cratera ainda ativa do vulcão, que ficou completamente submerso no oceano. A ilha desapareceu no oceano, porém, com o passar das décadas o acúmulo de lava do vulcão ainda ativo no fundo do oceano, se tornou suficiente para que o cume do vulcão reaparecesse na superfície do mar e em 1930, o acúmulo de lava permitiu que a ilha se formasse novamente, porém, sem nenhum tipo de vida, apenas lava solidificada em toda a extensão da ilha. Nove meses depois da primeira expedição para estudar a ilha recém formada, ecólogos encontraram os primeiros fungos e microrganismos que habitavam a ilha de krakatau, esses organismos pioneiros, possibilitaram uma mudança no substrato do solo e cerca de uma década depois, a ilha já apresentava algumas áreas cobertas por uma rala savana onde dominava a cana de açúcar (planta nativa da região). Por volta de 1980 foram catalogadas cerca de 140 espécies de plantas, 40 pássaros e centenas de insetos, e a biodiversidade continuará a crescer até que esta comunidade se torne estável e se torne uma comunidade clímax.

ilha de Krakatau

Outro tipo de sucessão ecológica é a sucessão secundária, caracterizada por ocorrer em um espaço de tempo menor do que a sucessão primária. A sucessão secundária, ocorre quando uma determinada área sofre um dano que não altera significativamente o substrato do local. Um bom exemplo de sucessão secundária é uma perturbação por fogo, após uma queimada, a área devastada se torna inóspita para alguns seres vivos, porém, organismos que são capazes de sobreviver naquelas condições, possibilitarão que outros seres vivos voltem a viver naquele local, isso ocorre em um período de tempo relativamente curto, podendo ser meses ou anos. Como não há mudança significativa de substrato, o ecossistema daquele local não sofrerá alterações bruscas e possivelmente a maioria das espécies que antes estavam ali, voltarão a residir no mesmo local.

Para entendermos melhor a sucessão secundária vamos analisar um caso. Um fazendeiro tem em suas terras um grande bambuzal, porém, ele quer usar parte daquela área como um pasto para seu gado. O homem desmata 80% do bambuzal, queima os brotos no solo e o transforma em pasto. Passado alguns anos, ele abandona aquela fazenda e com o passar do tempo, por ainda ter bambus próximos à área desmatada, novos bambus começarão a crescer, podendo haver também o crescimento de outras plantas. Este é um caso de sucessão secundária, onde o substrato não foi radicalmente alterado e havendo crescimento de novas espécies, a comunidade naquele local não foi alterada bruscamente, pois, ainda havia resquícios da comunidade inicial próximo ao local. Agora que sabemos diferenciar os tipos de sucessões, podemos conhecer algumas tendências relacionadas à sucessão ecológica.

Nicho Ecológico: pode ser visto como o conjunto de relações e atividades características da espécie no local, ou seja, todas as ações típicas de uma espécie no ambiente em que vive.

Composição de espécies: No início da sucessão ecológica, a composição de espécies, que pode ser compreendida como um inventário de todas as espécies naquela comunidade, sofre grandes alterações, pois, ainda há muita mudança no ambiente, o que pode interferir no habitat e nicho de determinada espécie. Nos estágios intermediários, a alteração na composição de espécies passa a ocorrer de forma mais lenta e só se mantém na comunidade clímax.

Diversidade de espécies (biodiversidade): No início da sucessão, o número de espécies presentes em uma comunidade é baixo, pois, poucas espécies estão adaptadas para as condições hostis que aquele ambiente apresenta. Ao longo da sucessão essa variedade de espécies aumenta e ao chegar no clímax, essa diversidade declina um pouco e se torna estável.

Biomassa: é a quantidade de matéria orgânica presente em um indivíduo ou em uma comunidade. No caso da sucessão ecológica, a biomassa estudada é a que envolve a comunidade. Conforme a sucessão vai ocorrendo o número de indivíduos das populações que compõem a comunidade aumenta. Consequentemente o porte da biomassa presente na comunidade aumenta. Além disso, o porte dos indivíduos tende a aumentar, ou seja, no início da sucessão geralmente o porte dos organismos é pequeno, por exemplo, líquens, gramíneas e arbustos. Já com o passar do tempo, o porte dos indivíduos tende a ser maior, por exemplo, árvores, grandes mamíferos, etc. E por esta razão a biomassa da comunidade tende a aumentar.

Teia Alimentar: A cadeia alimentar é classificada como uma sequência de seres vivos no qual um serve de alimento para o outro. A teia alimentar consiste em um conjunto de várias cadeias alimentares conectadas, onde um indivíduo pode estar servindo de alimento para vários outros. Em uma sucessão ecológica, a teia alimentar se torna mais complexa, pois, no decorrer da sucessão podem surgir novos nichos ecológicos.

Os dois tipos de sucessão descritos acima, são classificados como sucessão autotrófica, ou seja, alguns organismos que fazem parte da comunidade pioneira, produzem seu próprio alimento, o que faz com que o fluxo de energia entre as espécies seja contínuo e assim a cadeia alimentar segue sem alteração. Porém, existe um tipo de sucessão que não é frequentemente abordada em vestibulares, mas é importante que tenhamos conhecimento. Essa sucessão, conhecida como sucessão heterotrófica, não abrange as características que são utilizadas para definir uma sucessão ecológica, ela nunca atinge a comunidade clímax e necessita de um aporte contínuo de matéria orgânica para não se desestruturar. Seres heterotróficos são aqueles que não são capazes de produzir o próprio alimento, na sucessão heterotrófica, as espécies pioneiras não são capazes de produzir seu próprio alimento, mas como seres que não produzem seu próprio alimento podem ser pioneiros em uma sucessão?

Vamos entender melhor, um lago sofreu eutrofização devido à quantidade de dejetos despejada nele durante anos. A comunidade que existia naquele lago antes da eutrofização foi aniquilada, com o tempo, seres heterotróficos se instalaram nesse lago, pois, ali eles tinham os dejetos como fonte de alimento, mas com o passar do tempo aquela fonte de alimento irá acabar e a comunidade será desestruturada. Nesse caso aquela comunidade nunca ficará estável, ou seja, nunca atingirá seu clímax.

A sucessão ecológica é um dos acontecimentos mais importantes da natureza, pois, causa a recuperação natural de ambientes degradados. A compreensão e o conhecimento adquirido sobre a sucessão ecológica é o que nos auxilia nos projetos para recuperação, restauração, reabilitação ou remediação de áreas degradadas, algo muito praticado atualmente.

Questão – Enem 2014

Surtsey é uma ilha vulcânica situada perto da costa sul da Islândia. A erupção vulcânica que lhe deu origem ocorreu na década de 1960, o que faz dela, seguramente, a ilha mais nova do Oceano Atlântico. As primeiras espécies que aí se fixaram foram musgos e liquens. À medida que as aves foram fixando-se na ilha, as condições do solo foram melhorando e espécies vegetais mais complexas puderam iniciar a colonização do território. Em 1988 foi observada a presença do primeiro arbusto.

Disponível em: www.nacopadasarvores.blogspot.com.br. Acesso em: 25 maio 2012 (fragmento).

O conjunto das alterações ocorridas no ambiente descrito é exemplo de

A) nicho ecológico.

B) eficiência ecológica.

C) sucessão ecológica.

D) irradiação adaptativa.

E) resistência ambiental.

Alternativa correta: C.

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Por quê, Porquê, Porque e Por que: aprenda a diferença entre cada um para não errar no Enem!

A língua portuguesa é de fato muito rica e por isso traz um grande número de possibilidades para algumas palavras e isso, às vezes, pode causar dúvidas aos falantes de seu idioma. Uma dessas dúvidas mais comuns está ligada ao uso dos “porquês”. Na fala não há motivo nenhum para preocupação, mas na hora da escrita em norma padrão quase sempre é feita uma consulta para saber a diferença entre um e outro e não fazer feio no texto.
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O que é SiSU?

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