Nacionalismo brasileiro na Literatura: o Romantismo

Um acontecimento que tem se popularizado recentemente e tomado a cena política no nosso país está ligado ao sentimento nacionalista. É importante estar atento a esses contextos, já que o ENEM pode cobrar o conhecimento deles direta ou indiretamente. O Brasil, por exemplo, tem uma história interessante sobre a construção da identidade nacional e por consequência de um sentimento nacionalista, de orgulho e amor à pátria.

A literatura brasileira foi usada como meio para que o sentimento de pertencimento e admiração às belezas do país se consolidassem. No Brasil, o estilo literário do Romantismo tem início em 1836, apenas alguns anos depois de declarada e independência do Brasil de sua metrópole, Portugal. Até então, o país não passava de uma colônia de exploração.

Origens do Romantismo

A primeira obra considerada romântica partiu da atual Alemanha e de acordo com informações do período motivou uma série de suicídios juvenis. “Os sofrimentos do jovem Werter”, escrito por Goethe, foi publicado em 1774 e conta a história de um jovem que se apaixona por uma moça comprometida, impossibilitado de realizar esse amor acaba se matando.

Na Europa, o Romantismo reflete também o contexto histórico. O continente estava saindo do sistema absolutista e por isso acabava perdendo a figura que representava seu passado, o rei absolutista. Logo, procurou no passado histórico e em elementos da cultura comum restaurar sua grandeza.

Houve a necessidade de retorno às origens, ao passado histórico, que não estava mais apenas Idade Clássica, por isso, muitos romances retratavam a história de seu respectivo país e os temas medievais (Idade Média) se popularizaram.

Desta forma, o sentimento nacionalista teve grande influência da Europa, onde o movimento iniciou-se. O racionalismo e objetividade do Arcadismo deram lugar ao sentimentalismo e subjetividade dos artistas românticos.

Romantismo no Brasil

No Brasil, diferente da Europa, não houve Idade Média, a luta aqui era por independência em relação aos colonizadores europeus, isso acabou motivando uma busca pelos elementos primitivos da cultura e da natureza brasileira. Essa natureza funcionava como cúmplice do narrador e dos personagens do romance romântico.

Os seguintes acontecimentos históricos culminaram com a primeira fase do Romantismo no país:

  • 1808: Chegada da família real portuguesa ao Brasil, que veio buscar refúgio das invasões napoleônicas em Portugal.
  • 1815: D. João reconhece juridicamente que o Brasil deixava de ser colônia e eleva o país a categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves.
  • 1822: O Brasil se torna independente de Portugal.

Depois da Independência, um surto nacionalista tomou conta do território brasileiro, era necessário então consolidar a ideia do Brasil como uma nação. Isso significava que para além de uma ligação com um pedaço de terra, era preciso ainda construir laços históricos, culturais e linguísticos.

O nacionalismo se configura como uma exaltação de tudo aquilo que é próprio da nação. Deste modo, o Romantismo que já carregava na Europa um certo ufanismo (orgulho exacerbado pelo país em que nasceu; patriotismo excessivo) aqui no Brasil ganhou uma faceta mais aprofundada devido a construção de uma nova nação.

A paisagem exótica, a natureza rica, os povos das tribos primitivas do território brasileiro, o processo histórico e a mistura de povos passam a ser fonte de recursos para a literatura romântica. A intenção era justamente se afastar das características coloniais e aproximar-se do que era próprio do Brasil, elevando os elementos típicos da nossa cultura. A busca pela identidade nacional e o compromisso em causar orgulho nos “novos” brasileiros foram as das bases do Romantismo no Brasil.

Primeira geração romântica e as origens do nacionalismo brasileiro (1836 – 1852)

Das três fases pelas quais o romantismo passa, a primeira delas é a que tem o forte apelo nacionalista. O índio substitui o lugar o herói medieval do romantismo europeu. A intensão era afastar-se de toda a literatura produzida na colônia e estabelecer uma arte que enaltecesse o Brasil, valorizando seus aspectos naturais.

Fonte: Moema de Victor Meirelles. 1866.

Esse período foi fortemente marcado pela construção da identidade nacional. O binômio nacionalismo-indianismo tomou o centro da produção artística do período. Os autores de destaque nessa fase são:

  • Poesia: Gonçalves de Magalhães, autor de “Suspiros poéticos e saudades”.
  • Poesia: Gonçalves Dias, autor de “I- Juca-Pirama” e da famosa “Canção do exílio”.
  • Prosa: José de Alencar, com “Iracema” e “O guarani”.

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Sobre o Autor

Adriana da Silva Moreira
Adriana da Silva Moreira

Adriana da Silva Moreira: Mestranda do programa de Letras Clássicas da Universidade São Paulo. Possui graduação em Letras, com habilitação em Português e Grego pela USP (2016). Concluiu duas Iniciações Científicas na área de Historiografia Grega (2013) e (2016) sob orientação do Prof. Dr. Breno Battistin Sebastiani. Tem interesse na área de Língua e Literatura Grega, com ênfase em Historiografia Grega.